sábado, 7 de Novembro de 2009

meu automóvel - minha biblioteca itinerante


acervo literário nesta altura:

- A Casa Quieta - de RODRIGUES Guedes de Carvalho
- História e Antologia da Literatura Portuguesa - séc. XVI
- A Casa dos Budas Ditosos - João Ubaldo Ferreira
- Quinze poetas portugueses do séc. XX - Gastão Cruz

devolvi à Biblioteca Municipal há pouco tempo - S. Jerónimo e a Trovoada - de Teixeira de Pascoaes

A Antologia de Gastão Cruz anda por aqui há mais de 2 anos. Bem como o guarda-chuva

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

sobre corrupção (é assim que se escreve?) em Portugal


intemporal e flagrante
incontornável contraste
:
ao pobre basta o bastante
ao rico não há que baste

guarda-factos (pelo NAO - guarda-fatos)


meus poucos mas estimados leitores portugueses sabem ao cansaço o que é meu guarda-Factos:

folha de papel A4 dobrada em 4 quatro vezes. Uma espécie de 4X4 todo terreno
guardo aí apontamentos de relâmpagos de memória, sinapses, ou lá que é isso, que de outro modo se perderiam - que pena, pode ironizar quem perde tempo a ler-me - e às vezes. quem sabe, não seria malbaratada uma fórmula mágica de qualquer ciência esotérica, uma palavra-chave capaz de
fazer parir um poema tão belo que irradie luz como o mais potente painel fotovoltaico.

conteúdo de uma folha perdida do chamado guarda-factos:

por 30 dinheiros apenas

rastilho de quadra p´ra pular que explodiu assim:

por 30 dinheiros apenas
vendeu Judas o Messias
por quantias mais pequenas
vendemo-nos todos os dias

segue uma quadra- que julgo enxerto de texto já existente:

tenho tosse nas orelhas
dor de dentes no cachaço
fui picado pelas abelhas
fiquei magro do inchaço

«««««««««««««««««««««««

doente
quer ou não
dizer que dói?

tenho um dente
duplamente doente
:
d(o)ente

««««««««««««««««««««««

Javal i

«««««««««««««««««««««««

fim

para Nina Rizzi & Líria Porto


puta resoluta
vai à luta
nem que tenha
por derrota
a única certeza
absoluta

não é a mesma coisa

levas as sementes
e
se mentes levas

digo eu

está um tempo estúpido
como aquilo que acabo de escrever
É sempre assim, quando regresso da pomposa hidroginástica:
brincar na água com arquinhos de plástico
e outros artefactos flutuantes

hoje a monitora dizia: senhor António, puxe os braços da parceira por debaixo de água
custa menos.
veio-me à memória o princípio de Arquimedes:
um corpo mergulhado....
disse
retire o senhor, por favor, não me faça velho
não me trate como as meninas dos Correios
ou dos inquéritos ao consumidor

Merda, pensei, talvez puxado pela imagem sonora de Arquimedes
- Arquimerda - senhor António, raio da rapariga:
levantem os bracinhos - uma palmadinha no ar
com os braços bem esticados

dez anos menos, monitora, só menos dez anitos,
e eu te diria para onde é que eu esticava bem os braços
eu te diria monitora

você gosta assim do tempo ?:
não é carne nem é peixe -caraterístico de Outono
estação intermédia como a Casa- Branca ou
a Primavera mas bem diferente desta
aqui a tendência é para o escuro
e para a chuva:
uma depressão situada a nordeste dos Açores

e aquela coisa também estúpida
meteorologicamente anacrónica que é
na Madeira chover só
nas vertentes viradas a Norte
olha que esta,
onde á que alguém alguma vez na vida
ouviu falar em semelhante aberração

por que não também no Pico, nos Açores,
ou na Flores
ou mesmo em Porto Santo?

você, que me distingue com alguns momentos de atenção,
o que é que ganha em estar aqui a ler-me?
cuidado mas é -não deixe queimar o refogado -
vá, vá, não perca a novela brasileira,
não ligue, olhe não se entorne o leite no fervedor
que deixou com o bico mínimo no mínimo

tempo estúpido, não acha?
não confundir com acha de madeira
que é mesmo o que já começa a apetecer

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

tempos

inda ontem a Praia
o sol o sal o sul

já hoje o frio
as reportagens televisivas
sobre os sem-abrigo

o maior prenúncio
das FESTAS
de NATAL

estória curta


a amiga recebia-o sempre com um chá e umas torradas esturricadas

desta vez não conseguiu passar sem perguntar:

- onde é que compraste a esturradeira elétrica?