o til
o tal
o til
o selim-sinal
de pôr
sobre o animal
senil?
sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
di-versos
1-está frio aqui em casa como se estivesse no restolho
2-passei na minha aldeia. está frio na minha aldeia como se a minha aldeia estivesse no restolho
3-a minha aldeia é um cemitério de memórias. passeio nas suas velhas ruas como se entre jazigos e ciprestes
4-de quem é agora a velha casa verde que foi em tempos dos meus tios?
5-as ruas estão desertas
6- quando a velha casa verde era a casa dos meus tios, as ruas tinham sempre gente e nunca havia frio
7- mesmo em noites de inverno como esta, as casas respiravam o calor da lenha do montado
8-e nos meus olhos nunca, para coisa nehuma, havia a imagem triste
9- de restolho
2-passei na minha aldeia. está frio na minha aldeia como se a minha aldeia estivesse no restolho
3-a minha aldeia é um cemitério de memórias. passeio nas suas velhas ruas como se entre jazigos e ciprestes
4-de quem é agora a velha casa verde que foi em tempos dos meus tios?
5-as ruas estão desertas
6- quando a velha casa verde era a casa dos meus tios, as ruas tinham sempre gente e nunca havia frio
7- mesmo em noites de inverno como esta, as casas respiravam o calor da lenha do montado
8-e nos meus olhos nunca, para coisa nehuma, havia a imagem triste
9- de restolho
INSTRUÇÕES PRIMÁRIAS
(DES) APONTAMENTOS BREVES
Põe-se-me sempre a questão de saber por que e para quem escrevo. Porque o faço desde muito novo – como todo o mundo escolarizado – com as célebres redacções, hoje composições, a que éramos sujeitos nas carteirinhas de madeira da incontornável Escola Primária lá do sítio. E já na altura, como hoje, não era particularmente destacado nesse desempenho, pelo que nunca, ao longo da minha carreira de aprendiz, fui uma figura destacada.
Sei que as palavras exercem sobre mim algum fascínio, e que é com elas, sobretudo, que o mundo pode contar para se reformar e converter. Não há uma boa teoria económica, uma válida descoberta física, mecânica, filosófica, astrofísica que não tenha por base o crisol duma boa mistura de palavras. A própria Arte – não só a que utiliza a palavra como matéria-prima – é sempre nelas que vai buscar a sua substância.
Entrevista recente ao escultor Rui Chafes, no JL, diz isso exactamente: “sou escultor de
Palavras e de ferro. Porque a palavra é o princípio de tudo. O seu poder evocador é mais forte do que o das imagens. A palavra molda a nossa natureza, os nossos limites e horizontes…”
Quem tenha tido a paciência, e a coragem, de me acompanhar ao longo destes anos através do meu atrevimento de tentar fazer chegar aos outros o que penso, reconhecerá o meu interesse por esta forma de expressão. Habituei-me a usar uma folhinha de papel no bolso da camisa, em companhia duma insignificante esferogáfica, um prático registo de palavras (guarda-factos) onde anoto pormenores do quotidiano, que de outro modo estiolariam para sempre. E talvez isso pudesse ser tomado como perda.
O homem que falava de negócios fazia-o com particular entusiasmo: não sei quantos milhares de euros para me instalar; mais outros não sei quantos para adquirir equipamentos; mais tanto para despesas de funcionamento: água; energia; comunicações…
Logo no primeiro ano vou facturar não sei quantos milhões, o que me dará de lucro algumas centenas de milhares
Este afã de cifras e de contas – peculiar à maioria do empresariado lusitano, se calhar até do mundo - sugeriu-me a ideia de categoria até aqui inexistente. A de Empreçário.
Tudo tem um preço, um custo, se traduz na expectativa de obter um lucro.
A fauna que pulula em torno dos múltiplos projectos de um Novo Aeroporto de Lisboa :
A nossa opção vai trazer uma economia de não sei quantos milhares de milhões de euros. E a nossa alternativa consegue ainda mais…
Por trás de toda esta infinitude de estudos e projectos : OTA ou ALCOCHETE (que em tempos designei de ALCOCHOTA) está a nata dos nossos empreçários.
Ao fim e ao cabo os mesmos, imbuídos dos mesmos altruísmos, do mesmo despojamento material que leva o mundo Rico a propor-se ajudar o eternamente explorado terceiro- mundo.
No Laboratório de Análises clínicas, onde passei ontem parte da manhã, uma família cigana movimentava-se com inusitada desenvoltura. Ele à frente, com o seu característico chapéu preto e barba já grisalha, ela atrás, com o cajado de feiras do marido. Foi, em tempos, no Arcada, que ouvi um destes desembaraçados e desinibidos cidadãos proferir o que para mim soou como frase lapidar. Não menos do que a imortal/banal penso – logo existo:
Por este andar, o mundo não apanha a carroça da Solidariedade Social.
Porque o empreçariado, ao contrário do que muito boa gente pensa, é um logro.
Está um frio danado. O Natal já se faz anunciar por todo o lado.
Daí o meu caloroso abraço para si
(DES) APONTAMENTOS BREVES
Põe-se-me sempre a questão de saber por que e para quem escrevo. Porque o faço desde muito novo – como todo o mundo escolarizado – com as célebres redacções, hoje composições, a que éramos sujeitos nas carteirinhas de madeira da incontornável Escola Primária lá do sítio. E já na altura, como hoje, não era particularmente destacado nesse desempenho, pelo que nunca, ao longo da minha carreira de aprendiz, fui uma figura destacada.
Sei que as palavras exercem sobre mim algum fascínio, e que é com elas, sobretudo, que o mundo pode contar para se reformar e converter. Não há uma boa teoria económica, uma válida descoberta física, mecânica, filosófica, astrofísica que não tenha por base o crisol duma boa mistura de palavras. A própria Arte – não só a que utiliza a palavra como matéria-prima – é sempre nelas que vai buscar a sua substância.
Entrevista recente ao escultor Rui Chafes, no JL, diz isso exactamente: “sou escultor de
Palavras e de ferro. Porque a palavra é o princípio de tudo. O seu poder evocador é mais forte do que o das imagens. A palavra molda a nossa natureza, os nossos limites e horizontes…”
Quem tenha tido a paciência, e a coragem, de me acompanhar ao longo destes anos através do meu atrevimento de tentar fazer chegar aos outros o que penso, reconhecerá o meu interesse por esta forma de expressão. Habituei-me a usar uma folhinha de papel no bolso da camisa, em companhia duma insignificante esferogáfica, um prático registo de palavras (guarda-factos) onde anoto pormenores do quotidiano, que de outro modo estiolariam para sempre. E talvez isso pudesse ser tomado como perda.
O homem que falava de negócios fazia-o com particular entusiasmo: não sei quantos milhares de euros para me instalar; mais outros não sei quantos para adquirir equipamentos; mais tanto para despesas de funcionamento: água; energia; comunicações…
Logo no primeiro ano vou facturar não sei quantos milhões, o que me dará de lucro algumas centenas de milhares
Este afã de cifras e de contas – peculiar à maioria do empresariado lusitano, se calhar até do mundo - sugeriu-me a ideia de categoria até aqui inexistente. A de Empreçário.
Tudo tem um preço, um custo, se traduz na expectativa de obter um lucro.
A fauna que pulula em torno dos múltiplos projectos de um Novo Aeroporto de Lisboa :
A nossa opção vai trazer uma economia de não sei quantos milhares de milhões de euros. E a nossa alternativa consegue ainda mais…
Por trás de toda esta infinitude de estudos e projectos : OTA ou ALCOCHETE (que em tempos designei de ALCOCHOTA) está a nata dos nossos empreçários.
Ao fim e ao cabo os mesmos, imbuídos dos mesmos altruísmos, do mesmo despojamento material que leva o mundo Rico a propor-se ajudar o eternamente explorado terceiro- mundo.
No Laboratório de Análises clínicas, onde passei ontem parte da manhã, uma família cigana movimentava-se com inusitada desenvoltura. Ele à frente, com o seu característico chapéu preto e barba já grisalha, ela atrás, com o cajado de feiras do marido. Foi, em tempos, no Arcada, que ouvi um destes desembaraçados e desinibidos cidadãos proferir o que para mim soou como frase lapidar. Não menos do que a imortal/banal penso – logo existo:
Por este andar, o mundo não apanha a carroça da Solidariedade Social.
Porque o empreçariado, ao contrário do que muito boa gente pensa, é um logro.
Está um frio danado. O Natal já se faz anunciar por todo o lado.
Daí o meu caloroso abraço para si
quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
(des)apontamento breve
só dizer a vocês - que têm a pachorra de me ler-
que tenho andado um pouco assacanado da vida: só 2ª.fª re-tirei a carta de condução.
hoje, 4ª, passei o dia em exames médicos - como um cavalo de corridas ou um galgo perseguidor de lebres, ou um candidato a ajudante de pasteleiro.
e pronto, olhem, assim ando alheado de falar com vocês - que são sem dúvida os meus melhores amigos.
isto vai passar
abração apertado a todos, com um espero que até breve - não menos apertado
que tenho andado um pouco assacanado da vida: só 2ª.fª re-tirei a carta de condução.
hoje, 4ª, passei o dia em exames médicos - como um cavalo de corridas ou um galgo perseguidor de lebres, ou um candidato a ajudante de pasteleiro.
e pronto, olhem, assim ando alheado de falar com vocês - que são sem dúvida os meus melhores amigos.
isto vai passar
abração apertado a todos, com um espero que até breve - não menos apertado
segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
sábado, 24 de Novembro de 2007
bonsai -bom Sol
acabo de re-ler/saber que teoria da atracção universal tinha sido globalizada. Isto é, em termos práticos e entendíveis: Tudo exerce atracção sobre tudo.
O Sol sobre a Terra, e sobre a Lua. E vice-versa. E a Lua, e Marte e Júpiter, ect. sobre tudo, vivo ou morto, que existe no sistema, e se calhar também para além dele -quem sabe em todo o Universo.
A novidade - que até parece antiga - é que nós podemos atrair o que mais nos agrada, rejeitando o que à partida nos possa ser penoso:
quero - para mim e para os meus- muita saúde, e um euromilhões exclusivo - para governar à minha maneira.......
Para si, para não se lamentar, desejo-lhe um bom fim-de semana- com muita alegria e muito SOL. E não diga que vai daqui!
O Sol sobre a Terra, e sobre a Lua. E vice-versa. E a Lua, e Marte e Júpiter, ect. sobre tudo, vivo ou morto, que existe no sistema, e se calhar também para além dele -quem sabe em todo o Universo.
A novidade - que até parece antiga - é que nós podemos atrair o que mais nos agrada, rejeitando o que à partida nos possa ser penoso:
quero - para mim e para os meus- muita saúde, e um euromilhões exclusivo - para governar à minha maneira.......
Para si, para não se lamentar, desejo-lhe um bom fim-de semana- com muita alegria e muito SOL. E não diga que vai daqui!
quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
recados breves
1- para dizer que estou vivo - respiro; como; bebo; digiro; durmo/acordo, tudo de maneira a que não estava habituado. Pior, claro, senão estava calado
2- ontem falei com um "amigo" que não via há muito tempo. E ele falava para mim sem me olhar direito. Sacanagem segura. Ou dele em relacção a mim, ou de mim para ele sem eu me ter apercebido.
Espero é que você -que não tem nada a ver com estas tricas - me leia direito, sem baixar os olhos ou tentar desviá-los das palavras.
3- não há pássaros iguais; não há carneiros iguais; não há lobos iguais; não há homens iguais.
E vegetais? Não haverá em qualquer horta couves mais gulosas do que outras? Como há vacas em todos os rebanhos?
Cómoda ingenuidade acreditar que todos os gladíolos têm a mesma apetência para a luz.
E para a música?
2- ontem falei com um "amigo" que não via há muito tempo. E ele falava para mim sem me olhar direito. Sacanagem segura. Ou dele em relacção a mim, ou de mim para ele sem eu me ter apercebido.
Espero é que você -que não tem nada a ver com estas tricas - me leia direito, sem baixar os olhos ou tentar desviá-los das palavras.
3- não há pássaros iguais; não há carneiros iguais; não há lobos iguais; não há homens iguais.
E vegetais? Não haverá em qualquer horta couves mais gulosas do que outras? Como há vacas em todos os rebanhos?
Cómoda ingenuidade acreditar que todos os gladíolos têm a mesma apetência para a luz.
E para a música?
segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
INSTRUÇÕES PRIMÁRIAS
Serenata à chuva
O computador está lento. Que nem barbeiro de Aldeia. Vai por todo o lado – menos à raiz das palavras, que é por aí, cortando-as emolhando-as, que a gente faz o texto.
Mais lento ainda porque lhe meti um pente para o catar de vírus, esqueci-me foi de lhe pendurar uma toalha do pescoço com que lhe preserve o tronco e a camisa do camadão de caspa que há-de ter.
Lento e aldrabão. Porque escrevo Verão e ele não só é lento no processo de reproduzir como, talvez por ter começado a chuva, escreve Outono.
A sério: ouvi a chuva eram praí três ou quatro horas da manhã. O meu telhado proletário é quase tão elementar como os de chapa do chamado Bidon-Ville. Só que em vez de zinco o que tenho à vista à laia de cenário é lusalite.
Os primeiros bagos de água, ainda levezinhos, fizeram-me lembrar centeio. Uma original e suave chuva de centeio. Para logo se transformar em trigo – trigo rijo, barba preta – ir engrossando até chegar ao bago de romã.
Bom calibre de chuva – fustigada por um vento a que em miúdo eu e outros chamávamos barbeiro. Tardou, como o computador, todo o mês de Outubro e mais estes vinte dias de Novembro. Os citadinos não chegam a aperceber-se da regularidade cíclica dos fenómenos meteorológicos. Sabem quando entra o Inverno porque já receberam os calendários das Gráficas, dos Adubos, das Casas de Sementes (ingénuos e de fundo religioso), ou escabrosamente eróticos como os de fabricantes de Pneus ou de grandes distribuidores de electro-domésticos regionais.
Se a chuva se faz anunciar em finais de Setembro ou só para já bem dentro de Dezembro – isso nada afecta o citadino, a não ser pela folga em comprar os agasalhos ou o calçado estanque e térmico para a chuva e frio que ele sabe um dia hão-de chegar.
O camponês, o rural, o lavrador – guia-se pela cor dos astros, pelo voo das aves, pela cor alquímica das folhas das árvores que o rodeiam. Sabe perscrutar os pássaros pela algazarras
ou silêncios subtis com que recolhem ao calor residual dos canaviais ou , safados, à protecção
das telhas que laboriosamente descolaram com cuidada antecipação.
Falam com a Terra. Auscultam-na, pegam-na na mão, cheiram-na, provam-na com os lábios, com a língua – como se fosse açúcar ou cloreto de sódio.
Citadino a viver no campo, tocando a Natureza apenas pelas franjas, agrada-me o que me é permitido desfrutar: noites estreladas – sem barulho nem luzes que perturbem a cintilação cardíaca dos astros; o nascer do Sol vermelhusco, ensanguentado – a pedir duas palmadas no traseiro até soltar o primeiro gemido; a natureza bruta dos javardos, de dentes de navalhas afiadas, estraçoando o milho ou chafurdando na horta em busca de batatas ou de nabos; o voo
fitófilo das borboletas traiçoeiras; o difícil, e sempre revestido de novas tácticas, duelo entre gatos e andorinhas: o desaparecimento mágico das crias indefesas; às vezes, bem no Verão, intermináveis concertos de grilos acompanhados por coros polifónicos de rãs; sentir de noite o arfar, a respiração tranquila dos pulmões das paredes grossas feitas de pedras e de barro….
A chuva está aí. Com a sua fala própria. O seu odor outonal inimitável. Capaz dos seus caprichos histéricos – a que devemos estar atentos. Já fecundando as sementes semeadas,
e as ervas espontâneas para a próxima Primavera. Que se prepara aqui, na fermentação das noites escuras e do frio do que não passa ainda de vésperas de Inverno.
Serenata à chuva
O computador está lento. Que nem barbeiro de Aldeia. Vai por todo o lado – menos à raiz das palavras, que é por aí, cortando-as emolhando-as, que a gente faz o texto.
Mais lento ainda porque lhe meti um pente para o catar de vírus, esqueci-me foi de lhe pendurar uma toalha do pescoço com que lhe preserve o tronco e a camisa do camadão de caspa que há-de ter.
Lento e aldrabão. Porque escrevo Verão e ele não só é lento no processo de reproduzir como, talvez por ter começado a chuva, escreve Outono.
A sério: ouvi a chuva eram praí três ou quatro horas da manhã. O meu telhado proletário é quase tão elementar como os de chapa do chamado Bidon-Ville. Só que em vez de zinco o que tenho à vista à laia de cenário é lusalite.
Os primeiros bagos de água, ainda levezinhos, fizeram-me lembrar centeio. Uma original e suave chuva de centeio. Para logo se transformar em trigo – trigo rijo, barba preta – ir engrossando até chegar ao bago de romã.
Bom calibre de chuva – fustigada por um vento a que em miúdo eu e outros chamávamos barbeiro. Tardou, como o computador, todo o mês de Outubro e mais estes vinte dias de Novembro. Os citadinos não chegam a aperceber-se da regularidade cíclica dos fenómenos meteorológicos. Sabem quando entra o Inverno porque já receberam os calendários das Gráficas, dos Adubos, das Casas de Sementes (ingénuos e de fundo religioso), ou escabrosamente eróticos como os de fabricantes de Pneus ou de grandes distribuidores de electro-domésticos regionais.
Se a chuva se faz anunciar em finais de Setembro ou só para já bem dentro de Dezembro – isso nada afecta o citadino, a não ser pela folga em comprar os agasalhos ou o calçado estanque e térmico para a chuva e frio que ele sabe um dia hão-de chegar.
O camponês, o rural, o lavrador – guia-se pela cor dos astros, pelo voo das aves, pela cor alquímica das folhas das árvores que o rodeiam. Sabe perscrutar os pássaros pela algazarras
ou silêncios subtis com que recolhem ao calor residual dos canaviais ou , safados, à protecção
das telhas que laboriosamente descolaram com cuidada antecipação.
Falam com a Terra. Auscultam-na, pegam-na na mão, cheiram-na, provam-na com os lábios, com a língua – como se fosse açúcar ou cloreto de sódio.
Citadino a viver no campo, tocando a Natureza apenas pelas franjas, agrada-me o que me é permitido desfrutar: noites estreladas – sem barulho nem luzes que perturbem a cintilação cardíaca dos astros; o nascer do Sol vermelhusco, ensanguentado – a pedir duas palmadas no traseiro até soltar o primeiro gemido; a natureza bruta dos javardos, de dentes de navalhas afiadas, estraçoando o milho ou chafurdando na horta em busca de batatas ou de nabos; o voo
fitófilo das borboletas traiçoeiras; o difícil, e sempre revestido de novas tácticas, duelo entre gatos e andorinhas: o desaparecimento mágico das crias indefesas; às vezes, bem no Verão, intermináveis concertos de grilos acompanhados por coros polifónicos de rãs; sentir de noite o arfar, a respiração tranquila dos pulmões das paredes grossas feitas de pedras e de barro….
A chuva está aí. Com a sua fala própria. O seu odor outonal inimitável. Capaz dos seus caprichos histéricos – a que devemos estar atentos. Já fecundando as sementes semeadas,
e as ervas espontâneas para a próxima Primavera. Que se prepara aqui, na fermentação das noites escuras e do frio do que não passa ainda de vésperas de Inverno.
domingo, 18 de Novembro de 2007
sábado, 17 de Novembro de 2007
DEMOGRAFIA
-A população da Europa encontra-se em franco processo de envelhecimento
- A portuguesa, para além de envelhecimento, também de envilecimento.
Não conheço Louise Glück
Por Louise parece que há-de ser francesa
Glück remete numa primeira leitura de ignorante para
Sueca ou norueguesa
Quiçá germânica como diria um mau poeta
De qualquer nação do mundo
Louise é já de si um nome doce
E Glück lembra-me glucose – que o leigo mais completo
Saberá situar próximo de açúcar
Não sei pois quem é Louise Glück
Sei é que acabo de ler um poema seu
Que fala da farda triste do Outono
Da monotonia dos dias muito pouco iluminados
Daquilo que todos nós sabemos
Sobre o som das coisas neste tempo
Sobre a indecisão da chuva
e o calor
Da lenha empilhada quando os dias eram grandes
Fala de sementes :" em rígidas filas não foram plantadas
As sementes …. "
Ignorando que as rígidas filas são os regos
E as sementes não são plantadas
sim semeadas
Fala depois do som do vento
Que a silencia a ela-própria
Acusando-o contudo deste modo:
Aquilo a que soa não muda aquilo que é
E de migrações noctívagas de pássaros
Louise Glück não é seguramente natural
Da imensa pátria da língua portuguesa
Onde as palavras árvore e ave e pássaro se assemelham
Onde o cair das folhas de umas
Lembram o voo melancólico das outras
Ou o voo rectilíneo dos estorninhos
E dos patos
Nos induz a pensar em mortíferos
Raids dos milhafres
Nem Glück é seguramente natural
Da imensa plaga alentejana
Onde as rígidas filas são tortuosos regos
Porque próximos dos homens
Cujos rostos
São campos agrícolas de rugas
- A portuguesa, para além de envelhecimento, também de envilecimento.
Não conheço Louise Glück
Por Louise parece que há-de ser francesa
Glück remete numa primeira leitura de ignorante para
Sueca ou norueguesa
Quiçá germânica como diria um mau poeta
De qualquer nação do mundo
Louise é já de si um nome doce
E Glück lembra-me glucose – que o leigo mais completo
Saberá situar próximo de açúcar
Não sei pois quem é Louise Glück
Sei é que acabo de ler um poema seu
Que fala da farda triste do Outono
Da monotonia dos dias muito pouco iluminados
Daquilo que todos nós sabemos
Sobre o som das coisas neste tempo
Sobre a indecisão da chuva
e o calor
Da lenha empilhada quando os dias eram grandes
Fala de sementes :" em rígidas filas não foram plantadas
As sementes …. "
Ignorando que as rígidas filas são os regos
E as sementes não são plantadas
sim semeadas
Fala depois do som do vento
Que a silencia a ela-própria
Acusando-o contudo deste modo:
Aquilo a que soa não muda aquilo que é
E de migrações noctívagas de pássaros
Louise Glück não é seguramente natural
Da imensa pátria da língua portuguesa
Onde as palavras árvore e ave e pássaro se assemelham
Onde o cair das folhas de umas
Lembram o voo melancólico das outras
Ou o voo rectilíneo dos estorninhos
E dos patos
Nos induz a pensar em mortíferos
Raids dos milhafres
Nem Glück é seguramente natural
Da imensa plaga alentejana
Onde as rígidas filas são tortuosos regos
Porque próximos dos homens
Cujos rostos
São campos agrícolas de rugas
sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
3 pequenas coisas de Bernardo Soares
1-
um poente é fenómeno intelectual
2-
o perfeito é desumano - porque o humano é imperfeito
3-
se não houver Terra no Céu, mais vale não haver Céu
E UMA COISA DE OCASIÃO:
- FUMAR MATA
- E NÃO FUMAR TAMBÉM. Morrem por ano, no mundo, cerca de 5 milhões de pessoas devido ao fumo do tabaco (tabaquismo, sim senhor) . Dos que nunca viram um cigarro - pelas causas mais diversas, incluindo a Fome - ai morrem seguramente muito mais
um poente é fenómeno intelectual
2-
o perfeito é desumano - porque o humano é imperfeito
3-
se não houver Terra no Céu, mais vale não haver Céu
E UMA COISA DE OCASIÃO:
- FUMAR MATA
- E NÃO FUMAR TAMBÉM. Morrem por ano, no mundo, cerca de 5 milhões de pessoas devido ao fumo do tabaco (tabaquismo, sim senhor) . Dos que nunca viram um cigarro - pelas causas mais diversas, incluindo a Fome - ai morrem seguramente muito mais
quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
pequeno requiem
só dizer-lhe que não morri em definitivo:
pela primeira vez na vida perdi os sentidos
- que é como morrer um poucochinho
acordei depois para o mundo exactamente igual
num Restaurante chinês
só que desta vez sentado no chão
encostado a uma coluna encimada por dragões
quem sabe a minha vida
não passará a ser vista agora desse modo:
do chão
com mais fantasias na cabeça
do que nunca
PEQUENO REQUIEM
Quase todos os grandes compositores escreveram o seu Requiem. Por entes muito queridos; por escritores/poetas que inspiraram os seus génio criativos; por mecenas pródigos que os pagaram a preços inacessíveis ao cidadão-comum; por animais de companhia – gatos, cães, sei lá – cuja morte física tenha sensibilizado os inspirados
descendentes de Pan; dedicados a ideias abstractas como sonho ou alegria – sempre com a finalidade de glorificar qualquer coisa que deixou de existir.
Acabo de ler que em Cabo-Verde alguns funerais são acompanhados pelos músicos locais, cujas composições acabam por funcionar como requiem.
Não sei se a um elogio fúnebre, a um desses discursos que enaltecem os mortos – quantas vezes menosprezados em vida – também pode estender-se a classificação comunmente atribuída às obras musicais. Sei é que ao que estou a fazer (produzir) ouso
incluir nessa categoria, não sei se devida se indevidamente. Chamo-lhe Pequeno Requiem – por duas bem fundamentadas razões : 1 – por ser escrito por mim ; 2 por ser dedicado a mim.
E os factos:
Não sei se alguma das pessoas que me lêm adregou alguma vez perder os sentidos : deixar de ver/ouvir/cheirar/tactear/saborear – julgo que são os cinco fundamentais que nos são atribuídos. Pois a mim aconteceu-me agora pela primeira vez. Bilhetes no bolso para ir ao Teatro assistir a “O Valentão ocidental”- levado à cena pelo Cendrev – antecedendo o espectáculo de um jantar em restaurante acompanhado de pessoa muito querida. É bom que se diga que nem eu nem essa minha companhia somos useiros em jantar em Restaurantes. A necessidade, não de agora, levou-nos a lidar com os tachos e os condimentos com a destreza com que campeão de ténis manobra bolas e raqueta. E se não somos na especialidade campeões, sem favoritismos comezinhos podemos considerar-nos artistas de craveira bem acima da média dos congéneres
O entrar em Restaurante é como que franquear porta de Mesquita ou de Sinagoga, ou de Templo Budista – que não sabe muito bem a gente se tem que se descalçar e deixar os sapatos à entrada, se o obrigam a cobrir a cabeça com véu ou capacete, a despir o casaco ou a qualquer outro ritual que nos seja completamente estranho.
Sei que entrámos, e jantámos, e tomámos café, e eu, como que distraidamente tirei um trago de uísque do meu frasco, e já tínhamos pedido a conta, comecei então a ver a minha simpática companhia tremida, cada vez mais tremida – como em retrato à-la-minuta – o mesmo com o cenário completo do salão, aí já não uma desfocagem mas carrossel maluco a virar de repente turbilhão, tudo à roda, e eu a aperceber-me de que perdia primeiro a vista, logo de seguida o ouvido – até me estatelar na tijoleira nua sem outro amparo que não fosse a resistência do ar, como se fosse uma moeda de 50 cêntimos ou a chave metálica de casa, julgo que com a simplicidade com que Newton viu cair a maçã e foi levado a estudar as leis da gravidade.
Estive, portanto, como que morto por instantes, ressuscitei com dois casais jovens a meu lado – as duas raparigas a tomarem-me o pulso e os companheiros a ajudarem-me a sentar, depois a levantar. Uma das raparigas era russa, e médica. Saí para o Hospital sem sequer agradecer, pelo que recorro agora ao meu modesto vocabulário russo para o fazer. Gentilíssima senhora: Spassiba!
pela primeira vez na vida perdi os sentidos
- que é como morrer um poucochinho
acordei depois para o mundo exactamente igual
num Restaurante chinês
só que desta vez sentado no chão
encostado a uma coluna encimada por dragões
quem sabe a minha vida
não passará a ser vista agora desse modo:
do chão
com mais fantasias na cabeça
do que nunca
PEQUENO REQUIEM
Quase todos os grandes compositores escreveram o seu Requiem. Por entes muito queridos; por escritores/poetas que inspiraram os seus génio criativos; por mecenas pródigos que os pagaram a preços inacessíveis ao cidadão-comum; por animais de companhia – gatos, cães, sei lá – cuja morte física tenha sensibilizado os inspirados
descendentes de Pan; dedicados a ideias abstractas como sonho ou alegria – sempre com a finalidade de glorificar qualquer coisa que deixou de existir.
Acabo de ler que em Cabo-Verde alguns funerais são acompanhados pelos músicos locais, cujas composições acabam por funcionar como requiem.
Não sei se a um elogio fúnebre, a um desses discursos que enaltecem os mortos – quantas vezes menosprezados em vida – também pode estender-se a classificação comunmente atribuída às obras musicais. Sei é que ao que estou a fazer (produzir) ouso
incluir nessa categoria, não sei se devida se indevidamente. Chamo-lhe Pequeno Requiem – por duas bem fundamentadas razões : 1 – por ser escrito por mim ; 2 por ser dedicado a mim.
E os factos:
Não sei se alguma das pessoas que me lêm adregou alguma vez perder os sentidos : deixar de ver/ouvir/cheirar/tactear/saborear – julgo que são os cinco fundamentais que nos são atribuídos. Pois a mim aconteceu-me agora pela primeira vez. Bilhetes no bolso para ir ao Teatro assistir a “O Valentão ocidental”- levado à cena pelo Cendrev – antecedendo o espectáculo de um jantar em restaurante acompanhado de pessoa muito querida. É bom que se diga que nem eu nem essa minha companhia somos useiros em jantar em Restaurantes. A necessidade, não de agora, levou-nos a lidar com os tachos e os condimentos com a destreza com que campeão de ténis manobra bolas e raqueta. E se não somos na especialidade campeões, sem favoritismos comezinhos podemos considerar-nos artistas de craveira bem acima da média dos congéneres
O entrar em Restaurante é como que franquear porta de Mesquita ou de Sinagoga, ou de Templo Budista – que não sabe muito bem a gente se tem que se descalçar e deixar os sapatos à entrada, se o obrigam a cobrir a cabeça com véu ou capacete, a despir o casaco ou a qualquer outro ritual que nos seja completamente estranho.
Sei que entrámos, e jantámos, e tomámos café, e eu, como que distraidamente tirei um trago de uísque do meu frasco, e já tínhamos pedido a conta, comecei então a ver a minha simpática companhia tremida, cada vez mais tremida – como em retrato à-la-minuta – o mesmo com o cenário completo do salão, aí já não uma desfocagem mas carrossel maluco a virar de repente turbilhão, tudo à roda, e eu a aperceber-me de que perdia primeiro a vista, logo de seguida o ouvido – até me estatelar na tijoleira nua sem outro amparo que não fosse a resistência do ar, como se fosse uma moeda de 50 cêntimos ou a chave metálica de casa, julgo que com a simplicidade com que Newton viu cair a maçã e foi levado a estudar as leis da gravidade.
Estive, portanto, como que morto por instantes, ressuscitei com dois casais jovens a meu lado – as duas raparigas a tomarem-me o pulso e os companheiros a ajudarem-me a sentar, depois a levantar. Uma das raparigas era russa, e médica. Saí para o Hospital sem sequer agradecer, pelo que recorro agora ao meu modesto vocabulário russo para o fazer. Gentilíssima senhora: Spassiba!
terça-feira, 13 de Novembro de 2007
segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
que o clima está mudado não restem mesmo dúvidas:
não chove
não faz frio
as geadas tardam
sucedem-se os degelos na Antártida
se não chover até Dezembro
já próximo do Natal
sei é que vou ter
uma excelente produção
de nabos e batatas
como em tudo
nem para todos são tão más
as alterações
climáticas
que me interessa a razão ou não
que possa ter Al-Gore
que os oceanos subam
três ou quatro metros
para mim o tempo assim até vai melhor
vivo no interior
tardem pois os frios e as geadas
que se lixe o Mundo e as alterações climáticas
que os meus legumes - esses
estarão certos
morreu o Sarilho
que era um electricista grandalhão
que tinha tanto de tamanho
como tinha de vida
e de ser bom
e não foi
de curto-circuito que morreu
contra o que passou
parte da vida em guerra
ao Sarilho o que lhe aconteceu
(e a todos nós um dia vai acontecer)
é fazer
uma última ligação
à terra
não chove
não faz frio
as geadas tardam
sucedem-se os degelos na Antártida
se não chover até Dezembro
já próximo do Natal
sei é que vou ter
uma excelente produção
de nabos e batatas
como em tudo
nem para todos são tão más
as alterações
climáticas
que me interessa a razão ou não
que possa ter Al-Gore
que os oceanos subam
três ou quatro metros
para mim o tempo assim até vai melhor
vivo no interior
tardem pois os frios e as geadas
que se lixe o Mundo e as alterações climáticas
que os meus legumes - esses
estarão certos
morreu o Sarilho
que era um electricista grandalhão
que tinha tanto de tamanho
como tinha de vida
e de ser bom
e não foi
de curto-circuito que morreu
contra o que passou
parte da vida em guerra
ao Sarilho o que lhe aconteceu
(e a todos nós um dia vai acontecer)
é fazer
uma última ligação
à terra
domingo, 11 de Novembro de 2007
blogaridade avulsa
quando a Bolsa bolçar
não tarda nada temos o crude nos 100 dólares
e o dólar nos 50 cêntimos
e os 50 cêntimos portugueses nos 10 cêntimos espanhois
porque um operário de Espanha
um ladrilhador um servente de pedreiro um bate-chapa
ganha 2 X e 1/2 o salário do mesmo operário português
e compra o que lhe faz falta 2 X e 1/2 mais barato
não tarda nada o dólar e o euro
e o crude e o ouro e as acções da Bolsa
levam uma volta
não valem um pataco
é chegada finalmente a altura
de sermos todos ricos
não tarda nada temos o crude nos 100 dólares
e o dólar nos 50 cêntimos
e os 50 cêntimos portugueses nos 10 cêntimos espanhois
porque um operário de Espanha
um ladrilhador um servente de pedreiro um bate-chapa
ganha 2 X e 1/2 o salário do mesmo operário português
e compra o que lhe faz falta 2 X e 1/2 mais barato
não tarda nada o dólar e o euro
e o crude e o ouro e as acções da Bolsa
levam uma volta
não valem um pataco
é chegada finalmente a altura
de sermos todos ricos
F(R)ICÇÃO
………………………………………………………………………….
MEU AMOR – tu sabes
Não nos iludamos mais. Nosso binómio
Entrou em situação de vício
Dantes tu chegavas antes da hora combinada
Mesmo no Outono vestias cores de Primavera
Os gatos iam esperar-te a meio da estrada
punhas a cabeça de fora
Sorrias pela janela
Chamava-los pelos nomes
Trazias-lhes miminhos
Hoje não lhes ligas quase os atropelas
É ou não verdade que as coisas estão mudadas?
Descias e beijavas-me
Com a naturalidade que há nas borboletas
Voando sobre as couves tenras
Encantavam-te as rosas nas roseiras
E as que eu punha nas jarras
Para dizer que estava à tua espera
Hoje chegas
Atrasada sempre
Com a frieza de quem viesse para mais uma reunião
Beijas-me como se o meu rosto fosse
O do teu Director Geral
Teu chefe de secção
Antes de vir ligavas:
Estou um pouco atrasada não queres que leve pão
Ou vou já a caminho
Está um frio de rachar quase não sinto as mãos
Nosso binómio amor
Entrou em situação de vício
Parece não ter mais
Algébrica solução
A não ser por palavras
Que transformem a Álgebra
De operações com números
Em jogos
De ficção
Para um rosto velho
Rosto calmo
Rosto rugas
- rios de rugas
Sem margens
Sem limites
Rosto música
Rosto/rostro
Rostro
Povich
MEU AMOR – tu sabes
Não nos iludamos mais. Nosso binómio
Entrou em situação de vício
Dantes tu chegavas antes da hora combinada
Mesmo no Outono vestias cores de Primavera
Os gatos iam esperar-te a meio da estrada
punhas a cabeça de fora
Sorrias pela janela
Chamava-los pelos nomes
Trazias-lhes miminhos
Hoje não lhes ligas quase os atropelas
É ou não verdade que as coisas estão mudadas?
Descias e beijavas-me
Com a naturalidade que há nas borboletas
Voando sobre as couves tenras
Encantavam-te as rosas nas roseiras
E as que eu punha nas jarras
Para dizer que estava à tua espera
Hoje chegas
Atrasada sempre
Com a frieza de quem viesse para mais uma reunião
Beijas-me como se o meu rosto fosse
O do teu Director Geral
Teu chefe de secção
Antes de vir ligavas:
Estou um pouco atrasada não queres que leve pão
Ou vou já a caminho
Está um frio de rachar quase não sinto as mãos
Nosso binómio amor
Entrou em situação de vício
Parece não ter mais
Algébrica solução
A não ser por palavras
Que transformem a Álgebra
De operações com números
Em jogos
De ficção
Para um rosto velho
Rosto calmo
Rosto rugas
- rios de rugas
Sem margens
Sem limites
Rosto música
Rosto/rostro
Rostro
Povich
quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
crónica a publicar em DS e NA
INSTRUÇÕES PRIMÁRIAS
ECCE HOMO….
Não sei muito bem se é assim que se escreve nem o que quer dizer. Tenho a vaga impressão de que significa: eis o homem, e terá sido proferido num contexto religioso em relação a Cristo, talvez na Bíblia, quem sabe quando o entregaram para mártir ao facínora Herodes, que era o representante de Roma em Jerusalém.
O título, porem, não tem a ver com Jesus Cristo – antes comigo, que de santo e mártir é o que tenho menos. Não sou ateu, nem agnóstico –herege muito menos – sou uma espécie de crente preguiçoso, quem sabe cauteloso, como adepto do Benfica no meio de claque do Sporting ou do Porto. Na retranca, calado que nem rato, a ver no que é que dá.
Depois, vejo tanta injustiça, tanta safadeza humana e ignomínia, tanta hipocrisia por parte de quem diz temer a Deus mas não descura estar de boas relações com o poder terreno, numa de “cautelas….” você sabe!
Não exagera quem disser que mais de metade da humanidade vive à conta das igrejas: Igrejas; Mesquitas; Sinagogas; Templos Budistas e Hindus; Mosteiros; Conventos; Santuários. São as suas inevitáveis hierarquias; a multidão de crentes; os milhões de beneficiários directos: excluídos, desprotegidos, doentes, sub-(ou nem isso)alimentados;
os mentores ideológicos; pedagogos; publicitários; historiadores; editores –um sem-fim de gente, creio que na sua maioria honesta e crente no tratamento de matéria tão volátil
quanto é tudo o que respeita à alma e respectiva fé.
Uma constatação que me leva a não ultrapassar os limiares dos espaços onde se trata das coisas do Além – é descobrir no dia-a-dia, no Aquém, que não passo de um pequeno, mas constante, prevaricador. Um pequeno pulha quotidiano. Como em tudo – pequeno.
Não nasci em berço-de-ouro. Nem sequer em Maternidade. A minha maternidade terá sido um quarto assaz modesto, a minha mãe aos gritos, assistida por uma velhota habituada a puxar vidas cá pra fora. Uma panela de água ao lume para me lavar depois de liberto da placenta, pendurarem-me pelos tornozelos, de cabeça para baixo, darem-me uma sonora palmada no traseiro até eu berrar, e pronto, aqui tem a cria, cuide dela.
Até que ela se habitue a cuidar de si.
Se tivesse nascido em Maternidade, bem acreditaria que no acto de me levarem para casa qualquer negligente enfermeira me trocara. Por quem? Não imagino! : sei que sou demasiado imperfeito, limitado, desorganizado para ser o original. Sou, sem margem para dúvidas, outro – que nunca cheguei a saber quem era.
O meu mundo é tão pequeno quanto eu. Composto de minúsculos elementos que me alegram ou entristecem, até às lágrimas , os sentidos. Sou capaz de exultar, de agradecer aos deuses (Deus, Alá, Nirvana, sei eu lá) o vapor odorífero da açorda, a casa cheia do cheiro a coentros e a alho, e a pimentos verdes pisados com vagar e ritual religioso, e a cor púrpura dos figos, e a companhia dA gata Cristhie (monopata ou trípede) , escutando Bach debitado por uma velha telefonia.
É verdade que esta maneira de estar na vida em nada contribui para melhorar o Mundo. O mundo é a cotação do dóllar e do crude. As guerras, os grandes diferendos mundiais decorrem todos destas significantes variáveis.
A minha placidez, o meu contentar-me com o acontecer das coisas, o poder alegrar-me mais o vermelho aveludado de duas rosas que me espreitam da janela do que entristecer-me, ou perturbar-me o saber que russos e norte-americanos se digladiam na Geórgia ou no Paquistão – isso me basta e não me desagrada. Aos olhos de Lao Tsé, estarei sendo,
enquanto me entretenho e me divirto a ver as rosas, se não um notável Napoleão ou um Alexandre o Grande, um modesto – mas igualmente importante – pulha a menos.
Parece que vai chover. O que também me agrada e não é mau.
Outonal abraço
ECCE HOMO….
Não sei muito bem se é assim que se escreve nem o que quer dizer. Tenho a vaga impressão de que significa: eis o homem, e terá sido proferido num contexto religioso em relação a Cristo, talvez na Bíblia, quem sabe quando o entregaram para mártir ao facínora Herodes, que era o representante de Roma em Jerusalém.
O título, porem, não tem a ver com Jesus Cristo – antes comigo, que de santo e mártir é o que tenho menos. Não sou ateu, nem agnóstico –herege muito menos – sou uma espécie de crente preguiçoso, quem sabe cauteloso, como adepto do Benfica no meio de claque do Sporting ou do Porto. Na retranca, calado que nem rato, a ver no que é que dá.
Depois, vejo tanta injustiça, tanta safadeza humana e ignomínia, tanta hipocrisia por parte de quem diz temer a Deus mas não descura estar de boas relações com o poder terreno, numa de “cautelas….” você sabe!
Não exagera quem disser que mais de metade da humanidade vive à conta das igrejas: Igrejas; Mesquitas; Sinagogas; Templos Budistas e Hindus; Mosteiros; Conventos; Santuários. São as suas inevitáveis hierarquias; a multidão de crentes; os milhões de beneficiários directos: excluídos, desprotegidos, doentes, sub-(ou nem isso)alimentados;
os mentores ideológicos; pedagogos; publicitários; historiadores; editores –um sem-fim de gente, creio que na sua maioria honesta e crente no tratamento de matéria tão volátil
quanto é tudo o que respeita à alma e respectiva fé.
Uma constatação que me leva a não ultrapassar os limiares dos espaços onde se trata das coisas do Além – é descobrir no dia-a-dia, no Aquém, que não passo de um pequeno, mas constante, prevaricador. Um pequeno pulha quotidiano. Como em tudo – pequeno.
Não nasci em berço-de-ouro. Nem sequer em Maternidade. A minha maternidade terá sido um quarto assaz modesto, a minha mãe aos gritos, assistida por uma velhota habituada a puxar vidas cá pra fora. Uma panela de água ao lume para me lavar depois de liberto da placenta, pendurarem-me pelos tornozelos, de cabeça para baixo, darem-me uma sonora palmada no traseiro até eu berrar, e pronto, aqui tem a cria, cuide dela.
Até que ela se habitue a cuidar de si.
Se tivesse nascido em Maternidade, bem acreditaria que no acto de me levarem para casa qualquer negligente enfermeira me trocara. Por quem? Não imagino! : sei que sou demasiado imperfeito, limitado, desorganizado para ser o original. Sou, sem margem para dúvidas, outro – que nunca cheguei a saber quem era.
O meu mundo é tão pequeno quanto eu. Composto de minúsculos elementos que me alegram ou entristecem, até às lágrimas , os sentidos. Sou capaz de exultar, de agradecer aos deuses (Deus, Alá, Nirvana, sei eu lá) o vapor odorífero da açorda, a casa cheia do cheiro a coentros e a alho, e a pimentos verdes pisados com vagar e ritual religioso, e a cor púrpura dos figos, e a companhia dA gata Cristhie (monopata ou trípede) , escutando Bach debitado por uma velha telefonia.
É verdade que esta maneira de estar na vida em nada contribui para melhorar o Mundo. O mundo é a cotação do dóllar e do crude. As guerras, os grandes diferendos mundiais decorrem todos destas significantes variáveis.
A minha placidez, o meu contentar-me com o acontecer das coisas, o poder alegrar-me mais o vermelho aveludado de duas rosas que me espreitam da janela do que entristecer-me, ou perturbar-me o saber que russos e norte-americanos se digladiam na Geórgia ou no Paquistão – isso me basta e não me desagrada. Aos olhos de Lao Tsé, estarei sendo,
enquanto me entretenho e me divirto a ver as rosas, se não um notável Napoleão ou um Alexandre o Grande, um modesto – mas igualmente importante – pulha a menos.
Parece que vai chover. O que também me agrada e não é mau.
Outonal abraço
quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
blogaridades
cheguei a casa
tomei um banho
não muito grande:
do meu tamanho
do meu tamanho
do meu feitio
cheguei a casa
tomei um banho:
do meu tamanho
não muito grande
não muito quente
não muito frio
sobre o poema "A invenção da Bicicleta" - de José Carlos Barros
postado em "O melhor amigo" - por Diogo Vaz Pinto:
tudo bem
só que uma bicicleta não se inventa
como não se inventam nuvens
nem ávores
nem pássaros
bicicleta
nuvens
árvores
pássaros
são criações dos deuses
sua matéria é água
é sol
é ar
todo o pássaro tem seu quê
de bicicleta
toda a bicicleta é muito galho de ávore
solidão de nuvem
asa solta de pássaro no ar
tomei um banho
não muito grande:
do meu tamanho
do meu tamanho
do meu feitio
cheguei a casa
tomei um banho:
do meu tamanho
não muito grande
não muito quente
não muito frio
sobre o poema "A invenção da Bicicleta" - de José Carlos Barros
postado em "O melhor amigo" - por Diogo Vaz Pinto:
tudo bem
só que uma bicicleta não se inventa
como não se inventam nuvens
nem ávores
nem pássaros
bicicleta
nuvens
árvores
pássaros
são criações dos deuses
sua matéria é água
é sol
é ar
todo o pássaro tem seu quê
de bicicleta
toda a bicicleta é muito galho de ávore
solidão de nuvem
asa solta de pássaro no ar
terça-feira, 6 de Novembro de 2007
PRIMAVER/OUTONO
chuva - talvez lá para quinta-feira
aqui o céu está nublado
a gataria jovem já se aproxima da casa. esconde-se nas flores
se vier chuva
será que vem de novo Abril?
e os gatos vão deixar se apanhar?
e vou eu conseguir
reencarnar
O´Neil?
PARA UM ECOLOGISTA DE RIBALATA
mesmo que não pareça
que disfarce
que à primeira vista não se note
você não passa de
travessa
de puré de batata
de pacote
aqui o céu está nublado
a gataria jovem já se aproxima da casa. esconde-se nas flores
se vier chuva
será que vem de novo Abril?
e os gatos vão deixar se apanhar?
e vou eu conseguir
reencarnar
O´Neil?
PARA UM ECOLOGISTA DE RIBALATA
mesmo que não pareça
que disfarce
que à primeira vista não se note
você não passa de
travessa
de puré de batata
de pacote
segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
(RE)FLEXÕES
1 -Os pianos dos grandes mestres tocam sózinhos?
2 -Coitados significa mesmo "coitados"?
3 - e coitidiano - o que é coitado diariamente?
Eu sinto-me coitado - quase coitidianamente
PINTAR A PAZ
Patente ao público no Hotel Cartuxa, em Évora, uma Exposição de pintura de Miguel Mira - a não perder.
Não sendo um especialista em arte, visito uma exposição de Artes Plásticas como assisto a um espectáculo de Ballet, a um concerto de Música dita Erudita, a uma demonstração de Artes Marciais ou de Capoeira, a um jogo de Futebol Americano ou de Pelota Basca, a uma conferência sobre Engenharia Genética ou a um torneio local de Sueca ou de Xadrez:
Sem conhecer rigorosamente a gramática das exibições, sem dominar as regras, as técnicas das ARTES. No caso da Pintura, sem saber mesmo distinguir lá muito bem os materiais utilizados: o óleo, o acrílico, o pastel, a aguarela, a espátula, o pincel, o cartão a tela…
Bem como no Teatro, na Música, na Dança.
Se bem que, não especialista, não perca muitas exposições apresentadas na Cidade, sobretudo as de mestres mundiais que a Fundação Eugénio de Almeida tem trazido até nós: de Miro a Picasso, passando por Calder e outros – de que não é por não saber o nome que têm menor reconhecimento universal. E não sou indiferente ao saber que uma pequena tela de Rotko – uma ingénua conjugação de manchas paralelas de vermelho, preto e amarelo – tenha atingido, em leilão recente, soma astronómica que daria para pagar os “planteis” dos 3 maiores clubes de futebol deste país de craques.
Para dizer que, como diletante apenas, a pintura do Miguel Mira me agrada, me tranquiliza, me pacifica e de certo modo aquece o espírito e os sentidos. Pintura de Paz,
chamei encima a este breve e despretensioso apontamento. Porque é essa na realidade a matéria dos seus quadros. A Paz omnipresente na paisagem familiar das suas telas, na tranquilidade bucólica dos lagos caseiros onde se divertem patos, mesmo na resignação dos sobreiros recentemente espoliados das suas roupagens naturais, as “naturezas mortas” a que a sua arte empresta vida, através de jogos sombra/luz, de cores sobrerreais em que apetece tocar para sentir calor e paz.
É uma pintura dos sentidos – não só das cores. Também dos cheiros (dos crisântemos, das ervas, dos restolhos) . Do tacto ( da macieza da pele dos porcos gordos no calmeiro), dos sons que se adivinham nas tardes mornas da planura alentejana.
Desculpe-me o artista se a minha visão amadora do seu festival de beleza sossegada não bastou a levar até ele, à sua tranquila forma de expressão, muitos olhos, sedentos também eles, de alguns momentos de serenidade criativa.
Silvestre
2 -Coitados significa mesmo "coitados"?
3 - e coitidiano - o que é coitado diariamente?
Eu sinto-me coitado - quase coitidianamente
PINTAR A PAZ
Patente ao público no Hotel Cartuxa, em Évora, uma Exposição de pintura de Miguel Mira - a não perder.
Não sendo um especialista em arte, visito uma exposição de Artes Plásticas como assisto a um espectáculo de Ballet, a um concerto de Música dita Erudita, a uma demonstração de Artes Marciais ou de Capoeira, a um jogo de Futebol Americano ou de Pelota Basca, a uma conferência sobre Engenharia Genética ou a um torneio local de Sueca ou de Xadrez:
Sem conhecer rigorosamente a gramática das exibições, sem dominar as regras, as técnicas das ARTES. No caso da Pintura, sem saber mesmo distinguir lá muito bem os materiais utilizados: o óleo, o acrílico, o pastel, a aguarela, a espátula, o pincel, o cartão a tela…
Bem como no Teatro, na Música, na Dança.
Se bem que, não especialista, não perca muitas exposições apresentadas na Cidade, sobretudo as de mestres mundiais que a Fundação Eugénio de Almeida tem trazido até nós: de Miro a Picasso, passando por Calder e outros – de que não é por não saber o nome que têm menor reconhecimento universal. E não sou indiferente ao saber que uma pequena tela de Rotko – uma ingénua conjugação de manchas paralelas de vermelho, preto e amarelo – tenha atingido, em leilão recente, soma astronómica que daria para pagar os “planteis” dos 3 maiores clubes de futebol deste país de craques.
Para dizer que, como diletante apenas, a pintura do Miguel Mira me agrada, me tranquiliza, me pacifica e de certo modo aquece o espírito e os sentidos. Pintura de Paz,
chamei encima a este breve e despretensioso apontamento. Porque é essa na realidade a matéria dos seus quadros. A Paz omnipresente na paisagem familiar das suas telas, na tranquilidade bucólica dos lagos caseiros onde se divertem patos, mesmo na resignação dos sobreiros recentemente espoliados das suas roupagens naturais, as “naturezas mortas” a que a sua arte empresta vida, através de jogos sombra/luz, de cores sobrerreais em que apetece tocar para sentir calor e paz.
É uma pintura dos sentidos – não só das cores. Também dos cheiros (dos crisântemos, das ervas, dos restolhos) . Do tacto ( da macieza da pele dos porcos gordos no calmeiro), dos sons que se adivinham nas tardes mornas da planura alentejana.
Desculpe-me o artista se a minha visão amadora do seu festival de beleza sossegada não bastou a levar até ele, à sua tranquila forma de expressão, muitos olhos, sedentos também eles, de alguns momentos de serenidade criativa.
Silvestre
domingo, 4 de Novembro de 2007
sábado, 3 de Novembro de 2007
não kero, não kero, não kero
a mulher tem o ar atarracado de moço-de-forcados. rabejador de grupo de forcados.
fui até ela por engano:
uma chamada telefónica para casa - oferecendo um rastreio às funções mais vulneráveis dos meus já mais de 65 anos. você sabe:
colestrol
tensão arterial
glicémia(?)
próstata
......................
sim senhor, conte comigo - às 3 em ponto, o meu número é o 453
só que a mulher(tipo rabejador de grupo de forcados) - e sua vasta equipa-
não rastreavam nada do que tinham prometido.
pelo contrário, propunham-se vender uma vasta panóplia de produtos
cuja relacção com a saúde seria apenas metafórica:
compressores/vibradores para activar a circulação sanguínea nos
lugares do corpo mais insuspeitados;
divãs ergonómicos telecomandados;
pedras(seixos) para utilizar em SPA.....sei lá
temos ainda para lhe oferecer, como brinde, uma estadia de 1 mês, tudo pago,
no melhor Hotel de Armação de Pera; se preferir, 15 dias num resort da Tunisia;
a possibilidade de se habiltar a um sorteio dum apartamento mobillado na Costa Vicentina.
Minha Senhora (com ar de rabejador de grupo de forcados):
só vim aqui na expectativa de medir tensão arterial; colestrol....não vim para comprar coisa nenhuma.
mas nós não estamos a vender. estamos apenas a zelar pela sua saúde, pelo seu bem-estar.
Muito obrigado, minha senhora, pelo seu interesse pela minha qualidade de vida. eu é que tenho que ir embora. já é tarde, e ainda não dei o penso ao burro.
tchau!!!
fui até ela por engano:
uma chamada telefónica para casa - oferecendo um rastreio às funções mais vulneráveis dos meus já mais de 65 anos. você sabe:
colestrol
tensão arterial
glicémia(?)
próstata
......................
sim senhor, conte comigo - às 3 em ponto, o meu número é o 453
só que a mulher(tipo rabejador de grupo de forcados) - e sua vasta equipa-
não rastreavam nada do que tinham prometido.
pelo contrário, propunham-se vender uma vasta panóplia de produtos
cuja relacção com a saúde seria apenas metafórica:
compressores/vibradores para activar a circulação sanguínea nos
lugares do corpo mais insuspeitados;
divãs ergonómicos telecomandados;
pedras(seixos) para utilizar em SPA.....sei lá
temos ainda para lhe oferecer, como brinde, uma estadia de 1 mês, tudo pago,
no melhor Hotel de Armação de Pera; se preferir, 15 dias num resort da Tunisia;
a possibilidade de se habiltar a um sorteio dum apartamento mobillado na Costa Vicentina.
Minha Senhora (com ar de rabejador de grupo de forcados):
só vim aqui na expectativa de medir tensão arterial; colestrol....não vim para comprar coisa nenhuma.
mas nós não estamos a vender. estamos apenas a zelar pela sua saúde, pelo seu bem-estar.
Muito obrigado, minha senhora, pelo seu interesse pela minha qualidade de vida. eu é que tenho que ir embora. já é tarde, e ainda não dei o penso ao burro.
tchau!!!
ça me dit
o meu velho aliado computador acaba de engolir uma série de asneiras que esforçadamente vinha debitando no seu passivo mecanismo.
Passivo?
Então por que se lembrou de colaborar - apagando de vez tanta iniludível incoerência?
Bom fim-de-semana para si
E não se esqueça de agradecer ao meu(pelos vistos também seu) velho aliado computador
VEREAR
Era de facto um mau vereador. além de mau passou a ser corrupto.
a Câmara atribuia-lhe pelouros. A população exigia-lhe Pelourinho
OS GATOS
com esses conceitos modernaços de ecosistema; biodiversidade; equilíbrio biológico, e tretas semelhantes, vão me desaparecendo os gatos: 5 meio-selvagens que se aninhavam nos espaços devolutos do motor do automóvel, viajando assim clandestinamente até longas distãncias; o doméstico Bonifácio/Gringo, único descendete de Cristhie - amarelo listrado, nos seus não mais de 2 meses de existência,
que hoje não compareceu ao pequeno-almoço habitual,
todos os gatos jovens assim se vão sumindo.
Em benefício de que elemento da cadeia trófica ?:
Corujas?
Águias?
javalis?
Saca-rabos?
Raposas?
Porra, parem lá com isso!!!!
Passivo?
Então por que se lembrou de colaborar - apagando de vez tanta iniludível incoerência?
Bom fim-de-semana para si
E não se esqueça de agradecer ao meu(pelos vistos também seu) velho aliado computador
VEREAR
Era de facto um mau vereador. além de mau passou a ser corrupto.
a Câmara atribuia-lhe pelouros. A população exigia-lhe Pelourinho
OS GATOS
com esses conceitos modernaços de ecosistema; biodiversidade; equilíbrio biológico, e tretas semelhantes, vão me desaparecendo os gatos: 5 meio-selvagens que se aninhavam nos espaços devolutos do motor do automóvel, viajando assim clandestinamente até longas distãncias; o doméstico Bonifácio/Gringo, único descendete de Cristhie - amarelo listrado, nos seus não mais de 2 meses de existência,
que hoje não compareceu ao pequeno-almoço habitual,
todos os gatos jovens assim se vão sumindo.
Em benefício de que elemento da cadeia trófica ?:
Corujas?
Águias?
javalis?
Saca-rabos?
Raposas?
Porra, parem lá com isso!!!!
sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
coroa de corda
coração de corda
coroação de cardo
adoração de bardo
o cardo à borda
da horda que estrafega
o fardo
o drago a droga
o dardo
coroação de cardo
adoração de bardo
o cardo à borda
da horda que estrafega
o fardo
o drago a droga
o dardo
quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
finados
1 de Novembro - véspera de finados -
finou-se em OHIO - Estados Unidos da América -
o antigo piloto-aviador Paul Tibbets
Tripulava o "Enola Gay"
em 6 de Agosto de 45,
tinha por missão sobrevoar
uma cidade nipónica e largar
em sinal de Paz
uma imaculada Pomba Branca
porém - porque disléxico-
trocou o P por B nas instruções de voo
e o resultado
é o que todos nós sabemos
a cidade chamava-se Hiroshima
o seu destruidor chamava-se até hoje
Paul Tibbets.
Não sabemos
é se a Bomba era mesmo Branca.
finou-se em OHIO - Estados Unidos da América -
o antigo piloto-aviador Paul Tibbets
Tripulava o "Enola Gay"
em 6 de Agosto de 45,
tinha por missão sobrevoar
uma cidade nipónica e largar
em sinal de Paz
uma imaculada Pomba Branca
porém - porque disléxico-
trocou o P por B nas instruções de voo
e o resultado
é o que todos nós sabemos
a cidade chamava-se Hiroshima
o seu destruidor chamava-se até hoje
Paul Tibbets.
Não sabemos
é se a Bomba era mesmo Branca.
só há gaivotas...
não há manhãs de sol
e sul
e pássaros que cantam
e gorjeios de bucólicos regatos
e coaxar de rãs
e festivais de rosas perfumantes
se não houver nós estarmos
tranquilos
sábios/mudos
livros - acorrentados/livres
nas estantes
e sul
e pássaros que cantam
e gorjeios de bucólicos regatos
e coaxar de rãs
e festivais de rosas perfumantes
se não houver nós estarmos
tranquilos
sábios/mudos
livros - acorrentados/livres
nas estantes
finados
QUADRA P´RA PULAR do dia
não tem nada de machismo - homem/mulher são contrários como os clássicos capitalismo/socialismo de Engels, Marx e por aí fora, e o não menos clássico materialismo dialéctico: luta de contrários que dão origem a realidade nova.
Na quadra que vai ler é a mulher a má-da-fita. Podia ser o homem: o ditador, o jogador inveterado que arruina a estabilidade da família, que leva a mulher ao desespero, à morte prematura - quando não ao suicídio. E lá estaria o déspota (lá está!) , 1 de Novembro, dia de lembrar os desaparecidos queridos, a comprar crisântemos para depositar, em teatral recolhimento, na campa da mulher amada.
Não se entristeçam pois as mulheres leitoras, que a hipocrisia é universal: não escolhe sexo, raça, credos político ou religioso:
sobre a campa do marido
põe flores e chora a megera
esquecendo que o falecido
só o é porque ela o era
não tem nada de machismo - homem/mulher são contrários como os clássicos capitalismo/socialismo de Engels, Marx e por aí fora, e o não menos clássico materialismo dialéctico: luta de contrários que dão origem a realidade nova.
Na quadra que vai ler é a mulher a má-da-fita. Podia ser o homem: o ditador, o jogador inveterado que arruina a estabilidade da família, que leva a mulher ao desespero, à morte prematura - quando não ao suicídio. E lá estaria o déspota (lá está!) , 1 de Novembro, dia de lembrar os desaparecidos queridos, a comprar crisântemos para depositar, em teatral recolhimento, na campa da mulher amada.
Não se entristeçam pois as mulheres leitoras, que a hipocrisia é universal: não escolhe sexo, raça, credos político ou religioso:
sobre a campa do marido
põe flores e chora a megera
esquecendo que o falecido
só o é porque ela o era
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