segunda-feira, 30 de Junho de 2008

sobre anúncios

1 - octogenário proprietário de terras:

pretendo contactar, para fins matrimoniais, mulher até 40 anos - que possua Tractor.

É favor enviar fotografia do tractor

2 - Mulher americana publica fotografia pessoal - acompanhada de anúncio de venda de VIVENDA (South Florida, não sei aonde fica!)

dando a "chance" ao comprador de a tomar em casamento.
O anúncio é de hoje. Não deve haver ainda resultados

instantâneos

- vou, não vou - ao Café da Igrejinha? são quase 9 horas, acabo de jantar

- as árvores não estão de todo más; mas carregadas de piolho (afídios). passei o ano a explicar a meia-dúzia de alunos como proceder, de maneira ecológica, nestas circunstâncias.
qual caneco, já recorri aos pesticidas mais, como agora se diz, radicais - resultados = 0

- as velhas pereiras estão carregadas de fruta, embora a fruta carregada de "pedrado". Situação idêntica à do piolho. O limoeiro tem parido pequenas ninhadas de limões.
Há feijão iniciado a produzir vagens ( desconheço o verbo apropriado: envaginar? duvido, vá);
melão; melancia; meloa; as cucurbitáceas na sua maioria: além destas - abóboras; mogangos; toda uma infinidade de abóboras decorativas.

-espreito o Correio. Tenho um recado que não li nem vou ler até ao fim, na perspectiva de conseguir adormecer e dormir como julgo que mereço.

- gostas de gatos. Mas só gostas dos meus gatos quando gostas de mim. E há muito tempo que os meus gatos te são pelo menos indiferentes.

Perguntava a um deles já nem sei o quê. Talvez se estava com apetite!, sei lá!

- melhor do que os gatos são as cabras. São animais de circo. Quando era miudo, os títeres
passavam pelos Montes, e não raro produziam espectáculos em que as estrelas eram cabras.

as cabras adoram exibir-se. Não lhes basta o serem. Têm que demonstrar a todo o momento que o são.
Enquanto as ovelhas são animais serenos, de planície, as cabras são atrevidas, de montanha, de terreno escabroso. Trepam ao penhasco inacessível, equilibram-se prodigiosamente numa saliência de rocha onde mal cabe uma das patas - instalando, ninguém sabe como, as outras três.

A assistência embasbaca e bate palmas, a cabra caprichosamente ( capricho, ao que parece, vem do latim Capricci, ou coisa semelhante) a cabra caprichosamente dobra-se em pose artística para a frente, como solista de ballet, e agradece

-está visto que já não vou ao Café da Igrejinha. Lá fora já está escuro, os dias decrescem milimetricamente, certo é que se nota dia-a-dia.
Temos a época de Praia pela frente, Armação de Pera vai como sempre abarrotar de eborenses, Évora em peso desloca-se pela marginal a partir das nove, como se passeasse pela grande Praça do Giraldo.
As minhas férias espero sejam iguais às de muitos anos recuados, quando ainda trabalhava, 3-4 dias na Comporta. E depois mais um ou dois fins-de-semana alternados entre Troia e o Carvalhal. Que é tudo o mesmo.

-Ah, já sei. O que eu perguntava ao gato, ele ameaçando entar em casa por uma frincha da porta da Cozinha, o que eu lhe perguntava é se o tempo ia mudar.
A meteorologia aponta para uma razoável descida de temperatura - dos 36 de hoje para uns esperados 32 de amanhã. O que, a acontecer, é digno de registo.

- Espero dormir já disse. Talvez até mereça

insónia

das poucas noites
em quase setenta anos delas
em que tive sérias dificuldades
para adormecer

talvez nem as noites sejam
para se dormir

europeu 2008

Espanha ganhou a Ale(manha)

não será bem assim:
talvez:
astúcia ganhou a força

entropia

leis da termodinâmica que comandam toda actividade
- humana, mecânica, física....

tudo tende inexoravelmemnte a degradar-se
sob a forma de calor

até pode nem ser bem assim, mas eu é o que sinto

domingo, 29 de Junho de 2008

aí vai então - para esta tarde de calor

UM PAPO COM VIEIRA

(neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias,
e não há ignorância que não seja miséria)



Navegador solitário em pleno Atlântico, frágil casca de noz empurrada por um pano miserável, pouco mais do que uma Tee-shirt a servir de vela, Ulisses de regresso a Ítaca?
- Qual quê!... eu próprio, como vê, padre jesuíta António Vieira, filho de Maria de Azevedo e de Cristóvão Ravasco, iniciado na arte de marear, em busca do Brasil, de novo, sozinho agora, após o cansaço das intermináveis confusões de viajar em companhia de gente tão díspar na condição e na condução.

- mas num barquinho destes, com menos de 10 metros, como é possível sobreviver às tempestades e às vagas?
E em tempo de bonança como se alimenta, o que bebe, como dorme?
Não lhe seria mais prático, mais cómodo, mais seguro, até mais económico comprar um desses cruzeiros para Belo Horizonte ou Porto Alegre, ou para a sua querida S. Salvador da Baía – à venda nas Agências de viagens para os novos-ricos lusitanos se deliciarem com as belezas tropicais?
Ou comprar uma dessas passagens ditas de low-coast, mais barato do que ir da Caparica a Palmela de autocarro, com várias saídas diárias de Lisboa, sem outro incómodo que não seja pedir a quem o leve ao aeroporto da Portela e tomar o avião, que em poucas horas o porá na sua diocese, são e salvo, a pregar para quase duzentos milhões – não de peixinhos mas de almas à beira da fogueira eterna..,
Faz ideia de como está agora a sua segunda pátria?
Sabe, padre, que os brasileiros estão a pagar-se, volvido meio milénio, do espírito aventureiro e do arrojo de Cabral em atravessar o Atlântico para ir desassossegar uns pobres e inofensivos tupis, aruaques, caraíbas, kaypós, que viviam de colher o que a Natureza pródiga lhes dava? Chegam aos milhares, em catadupa: o responsável máximo da operadora aérea portuguesa é brasileiro, o mesmo tem acontecido com o timoneiro da seleção nacional de futebol. Da limpeza de ruas aos Departamentos de Investigação das melhores Universidades, em todo o lado se encontram brasileiros.

- Todas essas modernices com que acaba de tentar aliciar-me: passagens de navio, viagens de avião – eu que tão veementemente verberei a desmedida ambição do peixe voador, quer você que eu suba num pássaro metálico e me aventure a atravessar, voando, o abissal Atlântico? Ou não me conhece, contrariamente àquilo que diz, ou está se divertindo à minha custa

- há um pequeno porão aqui por baixo, quer você descer e entrar para espreitar?

- desculpe o meu idolatrado pregador mas pôr aí os pés nessa tábua flutuante é que eu não ponho. Se tivesse, ao menos, alguma prática de surf!
Nem parece que só por milagre tenha escapado à interminável série de naufrágios com que o Altíssimo entendeu confrontá-lo em cada uma das suas temeridades navegantes!


- não aceita então visitar o meu pequeno Titanic?
- não faz mal, eu explico: aqui por baixo estão guardadas algumas vitualhas que aprovisionei em terra, em Lisboa, antes de partir:
o biscoito;
meio carneiro salgado - para desenjoar do peixe, que há-de ser a base das minhas refeições;
sal em quantidade que baste a dois meses de viagem;
chá verde e açucar;
um odre de vinho de Bucelas
sabão
um engenho caseiro de dessalinização da água por osmose;
Mais uma lamparina de álcool para cozinhar algum peixito que vou fisgando com um simples pano vermelho como engodo,
uma única muda de roupa;
Um sacrário;
Uma Cruz e um cálice para a Missa
não é assim tão complicado quanto possa parecer.

Estendo-me por poucas horas numa cama improvisada a coberto do cacimbo, quando não mesmo das grandes chuvadas tropicais. Disponho de um beliche rude mas cómodo, duas pranchas de madeira sobrepostas, de que pode o ilustre desconhecido beneficiar, se quiser abandonar a divertida e segura embarcação em que navega, rodeado do conforto, animação e maledicência da pequena corte flutuante que lhe faz companhia em busca do ouro e das pedras preciosas.

- de boa vontade o faria, padre, e grande seria a minha fruição dos sábios ensinamentos bíblicos que não deixaria de me propiciar ao longo de tão extensa travessia, não foram as minhas corresponsabilidades no governo do navio e a pressa que me obriga a demandar o meu destino asinha quanto possa. Além do mais, já a fortuna material que busco bastará a me tornar feliz, deixando para outrem a riqueza imaterial a que não faltarão pretendentes quando chegar a terra o padre e pregador.
Disse, aliás, o reverendo, se não erro, a propósito das ambivalências do peixe voador, que não deve ir o sapateiro além do chinelo, ou, por judiciosas palavras suas:
“quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem”

- É verdade, e o contexto? Em que condições falei eu assim às sardinhas com pretensão a ícaros? Ou melhor – a Simão Mago, anunciadamente filho de Deus e, por tanto, capaz de todos os prodígios incluindo o de voar?. Sabe o que lhe aconteceu, não sabe?
Estatelou-se no chão como pássaro implume que acomete prematuramente o ar na ânsia de voar.
Tendo pés para andar, até para correr quando lhe aprouvesse, quis Simão o Mago, mais por vaidade do que por necessidade, criar as sua próprias asas e voar. Caiu, e por intervenção divina não só não morreu como apenas quebrou os pés com que nasceu:

“ que caia Simão, está muito bem caído; que morra, também estaria muito bem morto, que o seu atrevimento e a sua arte diabólica o merecia. Mas que de uma queda tão alta não rebente nem quebre a cabeça ou os braços, senão os pés?
Sim, diz S. Máximo, porque quem tem pés para andar e quer asas para voar, justo é que perca as asas e mais os pés”.

- Visto é que não consigo demovê-lo da temeridade – ou não será tão só capricho?- de arriscar a vida numa interminável viagem solitária, sem outro apoio que não seja a sua inabalável fé no Todo-Poderoso.
Pelo que não me resta muito mais do que abandoná-lo na solidão atlântica, desejando que lhe sejam favoráveis os ventos e os astros, mais os húmidos elementos, e a válida proteção de Deus Nosso-Senhor.
E que, se naufragar, meia-dúzia de golfinhos, dos que escutaram Vossa desesperada pregação, o transportem a terra, sem danos maiores do que leve resfriado, ou similar, e a perda temporária de bens terrenos que facilmente substituirá mal assente pé em solo firme.

E é de golfinhos que falo e não de tubarões, que a esses desejou Vossa reverência excomunhão e maldição, porquanto normais aproveitadores dos naufragantes.

Posto que é ao mesmo fim que vamos:
às comemorações do meio milénio de acontecimento ainda hoje controverso – o achamento do Brasil pela Armada de Pedro Álvares Cabral - irei então andando, não esquecendo procurá-lo pela longa costa brasileira, nos meses mais próximos, na esperança de poder voltar a abraçá-lo.

e que faça então Boa Viagem

papo com VIEIRA

"neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias
mas não há ignorância que não seja miséria"

sábado, 28 de Junho de 2008

Cavaco no Vaticano

cavaquitano

não há acordo sobre a Concordata

Logo - a discussão é sobre a

Sencordata

descriminação precisa-se

positiva, claro

para regiões onde as temperaturas ultrapassem com regularidade os 35 graus centígrados:

- baixar custos de energia elétrica, com vista a facilitar utlização de equipamentos de arrefecimento

- baixar custos da água - pela maior exigência em operações de rega para manutenção de espaços/espécies verdes

uma espécie de subsídio de INSOLARIDADE

meteo

Inverno - não podia estar em casa com o frio

Verão - não consigo sair de casa por causa do calor

E SE

as sombras fossem brancas?

sexta-feira, 27 de Junho de 2008

psike

para refrescar o ar
do quarto
(não é mania minha)
basta
mesmo que parada
a presença física
de uma boa
ventoinha

alternativa

os G8 estão reunidos em Tóquio (?) para decidir dos destinos do Zimbábué pós eleições
eleições de um único concorrente

G8 = Grupo dos 8 países mais ricos do Mundo . Até isso uma ficção capitalista

Vou tentar chegar a (ainda) Fidel, para propor criação de GH8:
H - universalmente (ou quase) letra inicial de HONESTIDADE

GH8 = grupo dos 8 países mais Honestos do Mundo

certo que a riqueza pode ser avaliada pelo PIB, há que criar um índice que qualifique a honestidade

quinta-feira, 26 de Junho de 2008

felinos

felídeos, não sei

acabo de ver film tv sobre drama dos leões: Leão macho domina, gere harem ao longo de alguns anos. Não permite, nem por perto, rivais nómadas que acabam de atingir maturidade sexual e tentam disputar fêmeas do velhote instalado faz uns tempos. Ao longo dos períodos de cio das 4 ou 5 fêmeas, os assédios são frequentes, terminando invariavelmente com lutas ferozes entre o macho dominante e os atacantes. Até que um dia o velho detentor do harém é mesmo escorraçado, com pesados estragos corporais que podem levar à sua morte a curto prazo.

os vencedores, para acasalarem com as fêmeas do Harém, precisam que elas entrem de novo em cio. O que só acontece se não estiverem a amamentar filhotes da ninhada descendente do senhor absoluto agora escorraçado.

o primeiro trabalho do grupo vencedor é portanto exterminar sem dó nem piedade os órfãos de pai adolescentes. É uma cena macabra esta - de degolação dos inocentes

acontece o mesmo com os gatos. Aqui em casa há duas gatas adultas residentes, assediadas com frequência por nómadas que eu não imagino de onde venham. Alimentam-se da ração das namoradas e escorraçam impiedosamente os filhotes que tenham adregado sobreviver a outras adversidades.

hoje mesmo assim aconteceu: manhã cedo, um galã qualquer banqueteia-se com a ração das gatas. Sózinho, imponente, dominador.

as fêmeas adultas voltam quando chega a hora pavloviana da comida.
e os filhotes? Em todo o dia não sei onde se meteram. Podem ter levado o destino dos filhotes leões do film da tv.

que raio de Natureza!....

oráculo

os dias não vão maus
até que não venham os
de mais
de quarenta graus

quarta-feira, 25 de Junho de 2008

clima/escrita

o tempo, acima dos 35 graus, (o que o autor em tempos chamou de tramperaturas) está bem mais para a ortografa do que para a horta.

ainda ontem na Feira (por instantes breves fui à Feira) lá vi escarrapachado o anedótico erro das ementas descuidadas. desta vez no rodapé do Restaurante temporário: há bifes; bifanas; fevras...

comum, pelos Bairros da Cidade, é o tratamento dado à iguaria codornizes: HÁ CODORNIZES,
já vi assim anunciado:

há cordenizes

há codernizes

há coturnizes

há coturnices

AH cordenizes

Sugiro actuação da ASAE nestes aspectos de saude e higiene ortográficas

o mini-post ocorreu-me por ter acabado de ler em jornal espanhol notícia sobre acontecimento que envolve crocodilos.

que em espanhol se diz/escreve:

cocodrilo

é verdade ! vá ver!

um cheirinho de Padre

António Vieira, claro:

"À vista deste exemplo, peixes, tomai todos na memória esta sentença:
quem quer mais do que lhe convem, perde o que quer e o que tem.
quem pode nadar, e quer voar, tempo virá em que não voe nem nade..."

a exortação, como fácil se deduz, ia directa aos chamados peixes voadores. Que, pelos vistos,
não atenderam muito ao exórdio do pregador/poeta

se não serviu aos peixes - a que foi figurativamente destinado- sirva-nos a nós, seus legítimos e únicos destinatários

FRA(N)CA ?

a Feira, claro!
um fóssil de Mamute

recupero de memória a palavra nefelibata - para designar quem vive nas nuvens.
esta gente é uma horda disso : nefelibatas - gente que vive nas nuvens.

Lema da Feira (FRA(N)CA) deste ano: "ANO INTERNACIONAL DO PLANETA TERRA"
- o que é bem visível em todos os 4 hectares de Exposições!.....
talvez na profusão da cueca feminina oriental

volto a acreditar que não é só Évora. O próprio país em peso é nefelibata

a aposta Praça-de-Touros/Casa-de-Espectáculos parece-me um equívoco. Ainda estão a tempo de emendar. Por que não tentar o inverso:
Casa-de-Espectáculos/Praça-de-Touros?

levar o festival taurino ao palco de Teatro talvez seja mais apelativo do que exibir a Farsa ou a Comédia no mesmo cenário em que a seguir se pega o touro.
Não sei, digo eu!

terça-feira, 24 de Junho de 2008

tem nome- chama-se ONIOMANIA

não tem a ver com cebola (onion) , deriva do grego e significa doença do consumo
consumo desbragado
pulsão incontrolável para aquisição de bens
ONIOMANIA

também com alguma coisa de onanismo - sendo-o de facto de outro modo.
por aqui podia levar-nos a : masturbação aquisitiva

nada disso: doença

a Organização Mundial de Saude atribui-lhe a referência IM-10 e a categoria DSM - na Statistical Manual of Mental disorders.

tudo esclarecido?

domingo, 22 de Junho de 2008

todo o terreno é bom para se jogar à BOLA

o estádio (que na altura se chamava campo da bola) da minha Casa-Branca de miudo tinha uma frondosa azinheira dentro, é certo que não muito, do próprio espaço destinado à prática do jogo.

o campo, em Casa-Branca, estendia-se longitudinalmente no eixo Almadafe/Cano, a citada azinheira ficava do lado esquerdo, encostada à linha lateral, aí por alturas de 1/4 de campo desse lado. Não me perguntem o por quê de semelhante peculiaridade - talvez tivesse a ver com extremas de terrenos, conflitos pessoais entre proprietários e dirigentes desportivos, sei é que, repito, o campo apresentava esta incontornável verruga vegetal

lembro-me de que as camisolas eram amarelas, com um enormíssimo emblema preto e branco a cobrir o peito todo, os calções azul-celeste até ao joelho, umas botas grosseiras e pesadas, com travessas espessas como degraus de escada, quando molhadas difíceis de arrastar como grilhões.
como equipamento extra, alguns praticantes usavam um lenço espesso amarrado à cabeça, sobretudo quando campo e bola estavam enlameados, com vista a amortecer o impacto da mesma com a testa, aquando do cabecear ou marrar da bola - como popularmente se dizia.
Alem de pesada a bola era bastante irregular, já que dispunha de um dispositivo de enchimento,
o chamado pipo, difícil de acomodar no acanhado compartimento que lhe era destinado no interior do coiro.

a bola, por vezes, quando jogada no sector da azinheira ( lado esquerdo do eixo Almadafe/Cano)
ficava lá encima, entre dois galhos, sendo necessário recorrer a pedras para a escorraçar do seu refúgio. Era pedrada que fervia, até que uma acertasse em cheio no cabedal inchado, provocando um som cavo inconfundível que anunciava aos assistentes mais distantes que o jogo estava prestes a ser recomeçado.
acontecia também algumas vezes que o desiderato era precedido de uma ou duas cabeças a sangrar, vítimas de pontarias menos afinadas.

para dizer o quê?:
que todo o terreno é próprio para se jogar à bola.
Sexta-feira em Arraiolos, num intervalo de visita de Escola a qualquer instituição, armou-se uma partida de bola, num abrir e fechar de olhos, no relvado do Jardim, nas respeitáveis "barbas"de Rivara, tão quase impedidor do jogo quanto a azinheira do estádio do meu torrão natal.
A bola era pequena, não maior do que de jogar o golfe, colorida, mas genuinamente saltitona.
As equipas eram constituidas por cinco ou seis elementos cada, a baliza mais próxima de mim demarcada pela mochila empanturrada do assumido guarda-redes, e por um metálico candeeiro de iluminação do Parque.
Pela sua qualidade saltitona, a bola perdia-se com muita frequência sob os carros estacionados nas vias limitantes. Como a pesada bola de "cautchou"da Casa-Branca entre dois galhos da inacessível azinheira.
E, handicap para os praticantes de Arraiolos - a despeito da vantagem do relvado - o piso é terrivelmente inclinado no sentido longitudinal. Entre quem vai pelos Bombeiros ou caminha pelo piso da Escola de Condução, há um declive seguramente de um metro.
Havia esse pormenor insignificante, que em nada impedia o bom ritmo do jogo.

para dizer o quê:
justificar o título da estória
e deixar a minha dúvida sobre como S.Pedro lá em cima conseguirá resistir ao assédio dos tifosi
postos fora-de-jogo cá em baixo

?

o apetite pelo espaço TGR - Teatro Garcia de Resende- para a realização de cerimónias nupciais significa que as personagens todas (com destaque para os protagonistas) sabem antecipadamente que vão participar numa vulgar peça de teatro? :

FARSA?

COMÉDIA?

DRAMA?

a ser verdade

que, a pretexto de realizar fundos, a Câmara de Évora aluga (à hora, ao dia?) o Teatro Garcia de Resende para a realização de casamentos,
não me espanta que, com os mesmos argumentos, o Cabido, a Igreja possam franquear a SÉ -Catedral para levar à cena a FARSA ou a COMÉDIA, representadas por qualquer coletividade regional.

esperemos para ver

bonito-natural

tapete natural de flor-de-jacarandá - frente `a Igreja da Misericórdia em Évora

nesta época do ano, o binómio natureza/espaço construido é dos mais harmoniosos da Cidade.
Chega a fazer pena que haja varredores municipais

verão=hão-de ver

escrito na paisagem:
próximo:
teias-de-aranha (teiadaranhar-te)
lá fora mas ainda próximo:
rotura no reboco da janela -onde o ferro da grade gruda na parede

seguem-se duas rosas de longa duração

mais longe - até ao infinito: verde-que- te- quero verde: MILHO

mil pessoas perante este cenário fariam mil descrições em tudo diferentes.
ninguém leria como eu as teias-de-aranha e o milho

a cor deste milho, enquadrada pelo vermelho das duas rosas da janela, é tão minha quanto o amarelo dos girassois - de todos os girassóis do mundo- é de VanGogh

mais quadras p´ra pulares

alho porro e S. João
sardinha assada e sangria
suba a crise no balão
desça a noite de folia


ó meu rico S.João
vem de longe a tua fama
pôe o borrego no chão
a ver se o animal mama

copiar?

não sei se o tempo SIESTA em Espanha tem abrangência universal
se fecha mesmo tudo - primário, secundário, terciário - entre as duas e as cinco da tarde
Lojas e Serviços, acho que sim. Ensino: Universidades, Escolas - será que também pausam?

Importantíssima medida sócio-económica que este nosso país original teima em ignorar.

outra prática interessante aqui nos territórios vizinhos - na linha do que fazem os nórdicos para se defenderem do frio quando é tempo dele - é nebulizarem as ruas ( criando uma espécie de neblina artifical, que é bastante a fazer descer a temperatura ambiente de uma boa meia-dúzia de graus centígrados).
quanto o Centro Histórico de Évora - população e comércio- ganhariam com implementação desta medida!

não só Évora, claro! A minha vizinha Arraiolos - a sua artéria principal, a Avenida dos Tapetes,
a sua oásislização não seria apelativa para quem a procura chamado pela história rica dos Tapetes?

sexta-feira, 20 de Junho de 2008

3 quadras para concurso

s.joão meu s.joão
nunca mais vais ter sossego
ou lhes soltas um milhão
ou te roubam o borrego

II

s. joão meu s.joão
minha carinha de medo

por causa da inflação?
caíste no desemprego?


III

s. joão meu s.joão
haja dinheiro e saude

que desça o preço do pão
e mais do barril de crude (alternativa: não suba o barril de crude)

quadras populares alusivas a S. João. se quiser concorrer, envie para (não tenho a certeza, mas acho que sim) : praca.da.alegria@rtp.pt. (agora já sei que é assim)

boas sorte (não tanta quanto a que desejo para mim, é evidente)

2



5-6 hastes

juntam-se e formam

um "cordão"

tão forte

que lhes permite

prolongar

a sua caminhada

para cima.

O senhor Kevin Foster veio explicar isto mesmo no IPATIMUP - Porto, no dia 13 do `mês passado, com a sua palestra " Homeostasia - a luta pelo equilíbrio"

só que a sua explicação : cooperação/altruísmo quando não é possível competir - metia microscópios e observação de células. ( sem microscópios não há CIÊNCIA ?)

e toda a gente ficou maravilhada, sem pensar que tem essa evidência a toda a hora quando ousa perder tempo a espreitar a natureza.

Mesmo sem a preciosa ajuda do científico microscópio.

abraços

(experimente ampliar a foto)

cooperar - quando não se pode competir



Tutores (canas)

com altura insuficiente para feijões crescerem

As hastes isoladas, cada uma por si, cairão inevitavelmente

quinta-feira, 19 de Junho de 2008

palavrinhas

querer e
crer
talvez só em português tão próximas

GELOS ETERNOS

julgo que a designação apontava para os gelos das montanhas: Alpes; Pirenéus; Himalaias; Kilimanjaros.....

porque os tradicionais dos polos - ártico e antárquico- esses nem se punha em causa a sua perenidade.

ora bem: tudo isso é hoje uma trágica ameaça, segundo dados revelados pelo Centro Nacional de Informação de Neve e Gelo dos Estados Unidos, que mostram que no princípio deste ano o gelo do Ártico cobria uma área muito mais extensa do que na mesma altura em 2007

só que grande parte deste gelo é tão delgado que se derrete com muita facilidade. A investigadora Julienne Strove chama a atenção para que um Verão normal (regular) pode derreter essa camada frágil por completo.

"com o verão de 2007, em que o gelo marinho do Ártico se reduziu ao menor nível alguma vez registado (de 7.8 milhões de quilómetros quadrados em 1980 a uns 4.2 milhões ) os cientistas
estimam que os verões sem gelo chegarão à zona por volta de 2013"

"creio que vamos bater registos do ano passado, ainda que me agradasse estar equivocada" diz a senhora.
" se isto acontecer, é muito provável que para 2013, ou num prazo máximo de dez anos, tenhamos verões sem gelo no Ártico" .

bom, portanto, para levar o gado a pastar
,


sol e estício

Sábado - o maior dia do ano.
não se esqueça -comemore.
eu espero tirar uma sesta a condizer

espairecer

casal lunático:

aproveitemos esta belíssima noite de terrear para fazermos um passeio romântico.
é quase Terra-Cheia

quarta-feira, 18 de Junho de 2008

paralelos

USA & EDP

à beira da falência, ao que parece, os dois

ao primeiro, são os bancos europeus que puseram a funcionar para os socorrer um EUROline que trabalha 24 horas por dia, sem fins-de-semana nem feriados.

para os segundos parece estudar-se estratégia similar, só que desta vez recorrendo à prata da casa:
tens energia elétrica em casa - pagas por aqueles que a tiveram e deram-se ao luxo de não pagar um cêntimo pela sua utilização.

ou concordas ou mergulham-te na escuridão

definições

CORVILÍNEO - que segue linhas do corvo

CORNILÍNEO- em forma de corno - sem ser bem o mesmo que corniforme

terça-feira, 17 de Junho de 2008

ÁGUA

I N S T R U Ç Õ E S P R I M Á R I A S



S E R Á Q U E E S T A A B A S T A N Ç A D U R A S E M P R E?


Barcelona já está a ser abastecida de água potável através de Barcos aqueiros (petroleiros para transporte de petróleo) a partir da vizinha França. Quando na também espanhola Saragoça vão meia-dúzia de dias da abertura de uma monumental Feira Universal sobre o tema do Desenvolvimento Sustentável. Visando sobretudo sensibilizar os esperados mais de 6 milhões de visitantes para a problemática situação da água para consumo da população mundial – cerca de mil vezes mais do que os estimados 6 milhões de visitantes.
Recomendação recente da Quercus, em Portugal, dada a proximidade de ida para férias, ocupação de Hotéis, utilização de equipamentos colectivos, chamava a atenção para os veraneantes não mandarem para a Lavandaria diariamente um conjunto de toalhas utilizadas uma única vez. É um desperdício de água de cálculo difícil, quando as dezenas de milhar de hóspedes insensíveis, só porque pagaram o que lhes exigiram na Agência, se dão ao luxo de deixar torneiras mal fechadas durante a noite toda, ou, como alertava a Associação ambientalista, entendem renovar diariamente as toalhas do banheiro.
A Água, já se diz em Saragoça mas todos nós sabemos, pode ser factor de destabilização social tão ou mais importante do que a emergente crise de bens alimentares ou a já enraizada escassez de recursos energéticos. A Unicef aponta para que mais de 2 500 milhões de habitantes do planeta vive com água insuficiente. Lembrar que o consumo médio nacional deve rondar os 130l/pessoa/dia – isto porque ainda existem muitos compatriotas nossos que vão diariamente à fonte buscar a água necessária ao consumo doméstico. Estes, é evidente, não consomem os 130 litros que lhe tocariam pelas estatísticas, nem 100, nem se muito bem calhar os 30 sobejantes.
Um hectare de milho, para produzir entre dez a quinze mil quilos de semente, precisa de cerca de 10 000 (dez mil) metros cúbicos de água. = 10 milhões de litros de ÁGUA!
Se for de arroz, o mesmo hectare já precisa de 12 a 15.000 metros cúbicos.
Sobretudo por isso o Egipto e a Etiópia se digladiam pelo controlo do caudal do Nilo, a eterna dupla Israel /Palestina se bombardeiam por uns miseráveis litros de água do Jordão.
Fontes credíveis supranacionais apontam para que mais de 5 000 crianças morram diariamente à falta de água ou pela má qualidade da que têm disponível. Imagens recentes de Luanda chegaram até nós testemunhando a inaceitável realidade.
Apesar das gigantescas obras de retenção e aprovisionamento de água – até 1950 cerca de 5 mil, para 45 mil em finais do séc.XX , a água para abastecer as populações continua escassa. Há que contar não só com os volumes armazenados mas também com os elevados índices de poluição que os acompanham. E os custos necessários para a tornar de utilidade prática imediata (tratamento e transporte) é por vezes tão elevado que vai além dos magros orçamentos dos países de economias mais frágeis, como os africanos, de uma maneira geral, os asiáticos e os sul-americanos.
Vamos ver se a nossa vizinha Saragoça consegue convencer-nos a economizar este cada vez mais precioso bem.

TEIA-DE-ARANHARTE



a noite mesmo a bater à porta.

luz acesa, a lua, quase redonda, vem de sobre um luxuriante verde campo de milho, passa a rasar uma haste de roseira vermelho-sangue, entra-me em casa por entre um rendilhado artístico de aranhas.

para me dizer: não sonhes, deixa de ser parvo - eu não sou mais do que um continente destacado da Terra

segunda-feira, 16 de Junho de 2008


desfocadito, mas dá para ver uma ínfima formiga
arrastando um enorme bago de milho. Que será não para compensar o seu esforço mas para alimentar todo o formigueiro.
Aliás, formiga isolada não existe

domingo, 15 de Junho de 2008

definições

centopeia jovem = cinquentopeia

l´important

tenho uma roseira para plantar na terra
não sei a cor das rosas que vai dar
mas isso me interessa mais do que no Mundo
haver paz ou haver guerra
haver fome a par
de gente a rebentar

falam em milhões com fome
duzentos e cinquenta apontam as estatísticas
um país inteiro mas um país enorme
à espera do que sobre às nações egoistas

não é bom o terreno onde vou plantar
a minha incógnita roseira
mesmo assim eu espero que pegue
se não pensar mais na fome no Mundo
e me preocupar com ela
e a cuide e a regue

a ONU, a FAO, a UNESCO
até o Presidente da Junta
da minha Freguesia
apontam remédios para este fim grotesco
só ninguem me diz como eu devia
plantar minha roseira em terreno rico
estrumado arenoso fresco

não adianta por isso pensar em panaceias
ser mais um a querer
endireitar o Mundo ou retirá-lo de a quem está entregue
vou é pensar em plantar minha roseira
plantá-la e cuidá-la
que talvez assim a minha roseira pegue

vassourinha

vassourinha
vassourão
varre o lixo
limpa o chão

saca o I
do que é Imundo
fica Mundo sem ter I
fica Mundo
até mais não

pequenino poema feito pelo vereador do (como diziam detratores) LIXO, aquando da chegada da primeira Vassoura Mecânica à Câmara Municipal de Évora.

era feio um senhor vereador se perder com coisas menores como a poesia

sábado, 14 de Junho de 2008

em maré de Quadras e tratado, aí vai então

pelo Tratado de Lisboa
ficamos pior que dantes

quem já tem a vida boa
é que faz vénia aos tratantes

pra pulares

vota não o irlandês
o tratado de lisboa
vá prá senhora que o fez
que há-de ser boa pessoa

já o português não vota
por não ser matéria lúdica
Faz-se o jogo e a batota
na Assembleia da Republica

assim nos chega a Europa
muito unida muito única
muito rica? muito pulcra
muito à maneira de tropa

alimentar o ego

já que sobre as minhas coisas (a qualidade das) eu tenho sérias dúvidas:
a escrita, os versos, os poemas

recorro ao mais novo rebento da família, porque aí eu acho mesmo muita qualidade.

conhece o "chuva oblíqua" de Pessoa? Não sei por quê, ligo sempre a atmosfera do poema a uma Igreja do Algarve. Mais concretamente: de Armação de Pera

tarde de chuva; musica coral lá dentro; chuva oblíqua na Rua, que é o Mundo, porque dentro da igreja o mundo é outro

ah, para remeter o meu leitor para dois bonequinhos do meu filho Rodrigo, de que gosto tanto como do poema que ilustra

procurar então em: http://rodrigosaias.blogspot.com

e não se esqueça de me dar a sua opinião

sexta-feira, 13 de Junho de 2008

sarro

a minha velha amiga - primeira namorada - descobriu agora a NET
envia-me imagens do Space Shattle, com vistas panorâmicas próprias nem das águias,
com referências ocidentais tão descaradas como se vivessemos ainda em plena guerra Fria:

bandeira americana por tudo quanto é sítio
- nos passeios de astronautas
na fatiota dos próprios astronautas
nos equipamentos:
USA/NASA/CANADÁ

até parece que Rússia
Japão Europa
são simples espectadores
tontos curiosos
que passam o tempo a olhar para a glória do tio Sam

definições

economia portuguesa = TIRodependência

fim paralisação de camionistas : tire daí o TIR

estatística

cerca de 70% dos visitantes do blog fazem-no pela primeira vez.
o que talvez indicie que não voltam a pôr cá os pés.

e eu gostava de saber porquê:

pelo mau hálito?
pelo cheiro a suor dos pés?

de vez enquando (a sério o enquando!)

CALOR


o homem disse
a propósito de Mercado
ser a situação actual
bastante introgessiva

nem o homem sabe
seguramente o que dizia
nem eu sei
nem nunca saberei
o que é
introgressivo

a palavra contudo
me parece clara
e me agrada
e a sinto perfeitamente adaptada
ao tempo que faz hoje:
mais de quarenta graus de temperatura
o sol a reluzir no céu
como no guiador cromado
de qualquer
primeira bicicleta

os pássaros calaram-se nos galhos
sombreados dos freixos e dos choupos
nas oliveiras cinzentas
nem as cigarras cantam
como se o calor
lhes tivesse impiedosamente
derretido as asas

procuro nos poetas gregos:
Arquílogo de Paros
Ìbico de Régio
em Safos natural de Lesbos
a palavra exacta
que defina
este insuportável
desarranjo meteorológico

posso associá-lo
vagamente a Vulcano
ou à fusão do átomo
ao efeito de estufa
nada porém que me diga tanto
como o insuspeitado introgressivo
do homem
a propósito de
Mercado

sendo que
não poder sair à Rua
é um estado
indiscutívelmente introgressivo
não me resta outra saida
que não seja:
despir a alma
e pendurá-la num cabide
onde corra
um mínimo de aragem

e deixá-la assim a abanar
inflada como vela de pequeno barco
T-shirt de Ulisses
que o conduzisse
de regresso
a Ítaca

é penosa
a estação e tudo
esmorece com o calor
disse Alceu de Mitilene
há pelo menos
dois mil
e setecentos anos

isto
pelo facto simples
de não ter sido ainda
a propósito de Mercado
criado o inefável
vocábulo
INTRO
GRESSIVO

quinta-feira, 12 de Junho de 2008

à falta de melhor.....

.............................................

só não pousavam nas linhas
(telefónicas/eléctricas aéreas, claro)

então:

se as vacas tivessem asas
como as leves andorinhas
voavam rasando as casas
só não pousavam nas linhas

a crise dos transportes

os transportes da crise
se as vacas tivessem asas
como as leves andorinhas
voavam rasando as casas
.............................................

claro que não é fácil completar de maneira coerente a quadra sugerida. Lembra-se do que disse a propósito de inspiração?:
Inspirado; desinspirado ou expirado; simplesmente pirado.
é neste último estado que pareço encontrar-me.

vou ver se durmo sobre o voo das vacas

quarta-feira, 11 de Junho de 2008

desafio

sabe, creio, que sou um adepto/praticante da Quadra Popular.

sei que vc tb o é

vou deixar, para completar, os dois primeiros versos de um desses exemplares.

vc completa e faz favor de me enviar, está bem?:

se as vacas tivessem asas
como as leves andorinhas
..................................................



definições

conjunto de países produtores de pítrol:

CRUDistão

de vez enquando

O MILHO HUMILHA-ME

Pela cor
Pelo viço
Pela pluma exuberante
Pelo contraste
Entre o verde das folhas
E o amarelo das hastes

Porque sem saber andar
Nem voar
Nem navegar
O Milho
Veio dos Andes
Até chegar à Europa

Pela força simétrica
Das estrias
Da sua maçaroca
Pela futura pipoca
Pelo brilho do bago (sendo eu baço)

Por tudo isso o Milho
Me sufoca
Me destroça

Enquanto me seduz e maravilha
O Milho maçaroca
Me humilha

terça-feira, 10 de Junho de 2008

variações em torno de "inspiração"

a - inspirado

b - desinspirado ou expirado

c - simplesmente "pirado"

segunda-feira, 9 de Junho de 2008

crónica a publicar em Noticias do Alentejo

P R O S A M Í N I M A

CRISE

1 – greve de camionistas em França, Espanha, Portugal. Corre-se o risco de corte de abastecimento de bens essenciais a curto prazo se a situação se mantiver. Aliás, mesmo antes da paralisação já o meu Ballantine´s rareava nas prateleiras de alguns supermercados. Agora é que não sei como vai ser. Sem TIRs, como ultrapassar a nossa TIRopedependência.
As necessidades básicas também são matéria marcadamente subjectiva. Para mim o Ballantine´s já pode ser uma necessidade básica. Para a família suburbana, sem trabalho certo e uma certa prole de 5 filhos, já a coisa começa pelo pão e acaba na lata de sardinhas. Tudo é relativo. De aí o Einstein e as suas leis da Relatividade

2 – e para o próprio cidadão essas necessidades evoluem. Sou do tempo em que os automóveis do povo (cidadão-comum) eram os Fiat-600, Renault 4L, Citroen 2 CV.
Luxo era montar um Renault 5, um Fiat não sei quantos, um Citroen Ami. Hoje, leitor amigo, quem há que se sinta realizado com um carro de motor abaixo dos 1 000cm3 de cilindrada? Eu próprio, que desde os tempos da Revolução sempre chamei mercedários aos proprietários destas máquinas luxuosas, eu próprio, dizia, sou proprietário de um 300D, que é coisa de emir com poço de petróleo no quintal, ou de russo bem instalado no negócio da papoila dormideira. Claro que sustentá-lo se vai tornando tarefa tão difícil quanto ao pequeno proprietário de courela e farjal de semeadura manter criada de servir
que trate da Cozinha e o sirva à mesa.

3 – para dizer o quê?: Que tudo muda – antes da globalização já o nosso Camões universalizava o incontornável fenómeno da mudança…todo o mundo é composto de mudança
Aquando da Revolução de Abril, eu teria um Austin Mini. Tal como o Mercedes de hoje, em enésima mão. Os vidros eram de correr – sobre calhas forradas com um tecido rijo, onde no Inverno, com a chuva, vegetavam espécies de dimensões nem sempre negligenciáveis. Bem maiores do que os musgos naturais.
Eu entendia a Revolução como dever de cidadão do mundo. Participava, gritando slogans nas manifestações, invectivando guardas e polícias nas ocupações de herdades, em manifestações culturais democraticamente criadas para chegar aos desgraçados que nunca tinham tido acesso a elas.
Considerava infame e ultrajante que as herdades fossem propriedade de quem não sabia o que era a terra, para além de um pó incómodo que lhes entrava para os olhos quando fazia vento. De quem era exímio operador de cataratas ou especialista em Semiótica numa da meia-dúzia de Universidades do país.
Anatematizar esta classe de proprietários absentistas era o caminho mais curto para a segregação social e censura até religiosa.
Hoje, segundo noticia a Agência católica Ecclesia, o próprio Vaticano, tentado a excomungar, na esteira do Concílo Vaticano II, a Teologia da Libertação – de, entre outros, o padre brasileiro Leonardo Boff, é o VATICANO que vem defender a REFORMA AGRÁRIA como solução para a crise alimentar que ameaça as mesas dos, não só, mais desfavorecidos. Ainda cauteloso, o Vaticano restringe as suas recomendações de Reforma Agrária ( Movimento dos sem- terra) “aos países em vias de desenvolvimento …para que se confira a propriedade da terra aos cidadãos e se favoreça assim o uso de milhares de hectares de terra cultivável”
Parabéns Ecclesia, tratem é de reabilitar todos os padres Boff – que se anteciparam lucidamente ao Vosso apelo, que peca por tardio

definições

especulações religiosas em família = TIOLOGIA

sábado, 7 de Junho de 2008

ÓPERA

ontem fui à (não senhor, não seja mal intencionado)

IL TROVATORE, de Verdi

VERDIdeiramente é o segundo espetáculo a que assisto. Já tinha visto AIDA, no Pavilhão das Nações, ou lá como se chama aquilo, coube-me agora desfrutar uma belíssima representação patrocinada pela nossa (deles) Caixa Geral de Depósitos, em Portalegre cidade.....

Sala cheia, assistência entusiasmada e pródiga em exteriorizar o seu entusiasmo, boa orquestra, bonita encenação - um bom espectáculo, capaz de cativar todos os leigos como eu, e julgo que mesmo os habitués.

o espetáculo decorreu entre dois pontos que me são historicamente muito gratos:
o antigo Liceu de Portalegre - onde fiz o 5º. ano
e
a velha casa de José Régio, em que entrei, sendo ele ainda morador, duas ou três vezes

não deixei de ligar o lugar ao acontecimento

sexta-feira, 6 de Junho de 2008

agora a sério

Esta coisa das alterações climáticas é mesmo para ser levada a sério.
pode estar aí o Verão, com os já conhecidos picos de calor, que resistem a toda ventoinha ou ar condicionado ou folha de palmeira abanada pelo preto

Em S. Tomé havia no Museu reposição de uma dessas cenas - Sala de jantar dos senhores da ROÇA, em que se destacava o tal ecológico monumental abano. Isso marca uma época - dita colonial - com desmandos que na altura pareciam normais, como ninguem estranhou a Inquisição
durante o seu período de vigência, como toda a gente achou normal que o agrário alentejano usufruisse do medieval "direito de pernada"sobre as filhas virgens dos servidores mais próximos.

Pode então estar aí o calor, mais a crise dos combustíveis e dos cereais, mais a alta das taxas de juro e a baixa das taxas de ética e de solidariedade,
pode o Bin Laden estar vivo e acabar por vir a nacionalizar-se americano, e ganhar eleições para governar um qualquer dos seus grandes estados democráticos, e em troca o Bush ir gozar os seus anos de reforma numa estância qualquer das montanhas do Afeganistão.

pode tudo, sabe, eu é que só já estou a ver o calor maluco que está aí mesmo a apontar, em que não me basta fechar portas e janelas como correr as cortinas frágeis das últimas e, de efeitos puramente psicológicos, fazer correr a chave na fechadura das primeiras

a sério!

GRAFIA

enquanto semeava os coentros e as cenouras engendrava esta analogia - que deve ser uma verdadeira aberração.


a ver se consigo pôr de pé:


homem; macaco; estorninho; gafanhoto; escorpião; minhoca
=
quartzo; água; ágata; volfrâmio; ferro; estanho:


uns e outros matéria morta a mais ou menos curto prazo. Os primeiros - átomos de matéria viva

(células?) , os segundos - átomos de matéria inerte.

átomo de matéria morta de minhoca (ex-célula) pode virar átomo de sílica (matéria inerte) ?

não percebeu?

nem eu

Horta 5 - Grafia 0

em tempos de febre futebolística, de números, de cifras, de previsão de resultados, avanço o que tem acontecido neste Blog, na disputa entre os trabalhos da horta e a computação da escrita.

com larga vantagem para os nabos e as cenouras, em detrimento de sílabas, palavras, parágrafos e textos

arranquei finalmente as ervilhas e as favas; conclui a apanha das batatas; montei rega automática para servir tomates, pimentos, 4 casas de abóboras - outras tantas de mogangos.
mesmo que emigrasse agora - temporária ou definitivamente (lagarto, lag. lag.) - o meu pequeno mundo vegetal continuaria a ser regado até que o homem da cobrança da EDP me cortasse o fornecimento de energia. Ou a água se evaporasse definitivamente da pequena charca.
é que as altas temperaturas estão aí prontas a lamber a mais ínfima gota de água.

semeei espinafres, coentros, alfaces, rabanetes. Tudo vai ser presente e pretérito quase ao mesmo tempo.
não tarda vou ter que ir secar saudades à Comporta

quinta-feira, 5 de Junho de 2008

identificação

foi seguramente uma carraça o desprezível ser-vivo que me ferrou no pulso

agora mesmo, após um curto passo no capim que atapeta o caminho até à horta, dou comigo a reparar num passeio distraido de um desses venenosos e raivosos velcros animais precisamente sobre a zona necrosada pela ferradela real de bicho até aqui anónimo.

resta-me saber se a cena se repete de cada vez que vou à rua por um raminho de tomilho.

será que estou tramado?

quarta-feira, 4 de Junho de 2008



favas e ervilhas...

e colhemos....

como se vê na foto



mais pragmáticos o ano passado, em vez de gladíolos semeámos (e colhemos) favas e ervilhas

inovação

fosse eu mais novo e empreendedor, negócio que eu montava era Escola de formação de sindicalistas em disciplinas que a maioria ou desconhece ou pratica de maneira verdadeiramente incipiente:

- atirar uma pedrada certeira contra um alvo móvel

- descarnar e arrancar um candeeiro de iluminação pública

- preparar e lançar um cocktail molotov

- virar um automóvel de patas para o ar

- defender-se dos canhões de água da polícia

- aprender a "passar uma rasteira". Qual judo, qual Karaté, qual artes marciais qual caneco. Uma boa rasteira à moda lusitana, com uma perna atrás e a biqueira da bota da outra ligeiramente inclinada para cima, há lá alguma coisa que lhe chegue aos calcanhares para pôr um chui a beijar a relva!

- aprender a fazer manguitos. Parecendo que não, é importante - para desarmar o inimigo

Um curso, um simples Work- Shop, como está agora tanto em voga, iam ver se os resultados não melhoravam de manifestação para manifestação!...
-


gladíolos aquáticos

Nada na manga- processo bem à vista: 1 tanque de 1 000l de água; 1 placa de sferovite com alvéolos; turfa nos alvéolos para semear os bolbos.

esperar.

há um safado arroxeado, a abrir agora, que vai mesmo compor o ramalhete. Estou a gostar

OPC

Oferta Pública de Casas:

O Diário do Sul de hoje trazia, entre moradias, apartamentos, prédios e outros eufemismos - oferta de 115 casas para venda.
a construção de habitações explode em todo o lado: nos grandes aglomerados populacionais, mas também nas Aldeias, junto a Albufeiras, no campo, no montado, nos outeiros para se gozar de boas-vistas, à beira de qualquer riacho para se desfrutar de fresquidão estival.
ao mesmo tempo, Aldeias, Vilas e Cidades abarrotam de construções devolutas, albergues/maternidades da mais rica biodiversidade.

Na América e em Espanha, entre outros imoderados construtores, a febre já deu bronca. Aqui, é fácil prever que aconteça o mesmo. Com tanta urbanização a brotar da terra, como os cogumelos quando chove, não tarda rebentar a "bolha"nos nossos calacanhares.

números oficiais dão um superavit nacional superior a 200 000 habitações

definição

DISCUTECA - arena destinada a discutir assuntos.

políticos? estilo Assembleia da Republica?
qual caneco - discutir de tudo!

terça-feira, 3 de Junho de 2008

triângulo da prosperidade

Aeroporto à porta
TGV em casa
Alqueva pra regar a horta
Será que o pessoal ainda assim se atrasa?

e a verdade...

é que aquela brincadeira, mesmo com previsões a apenas 5 anos, deu o berro,
e por aqui, prevendo a no mínimo 30 anos,
quando é que a coisa estoira?

com a subida actual do crude, a rapaziada dos orçamentos é incapaz de atirar a mais de 24 HORAS de distância. Vêm estes paopo-secos espingardear a 30 anos de lonjura.

!

perversões

toda a gente se fartou de gozar com a economia planificada, assente em planos quinquenais, sob a vigência da União Soviética.

esta gente agora não se limita a fazer previões a 5 anos. Atira pelo menos para 20. É mais um oráculo do que um exercício previsional baseado em instrumentos de cálculo científico.

Ontem, em Évora, com o anúncio do TGV para a região, altos responsáveis políticos apontavam já para a criação de 40 mil novos postos de trabalho. Para 2 030.

ah, não sei é se eram 40 000 para 2030,
se 30 ooo para 2040

de qualquer modo, é obra

combostagem

produção de composto a partir de Bosta (de vaca ou similar)

carestia

estava pronto a desabafar aqui contra o preço do gás. Uma garrafa média, de não sei quantos quilos, está agora pelos 83 euros.

pensei melhor e recolhi a minha indignação, já que, feitas as contas, ainda gasto mais em uisque do que na energia necessária ao funcionamento da habitação

bioadversidade

claro que gostava de falar com o sacana do bicho que me ferrou.
o pulso continua inchado, embora a mancha se estenda só jusante da tatuagem.

falar com o sacana do bicho que me ferrou - venenoso e raivoso, e saber o porquê de tanta fúria contra mim.

ah, e esmagá-lo com o calcanhar do sapato, fazendo uma rotação completa sobre o dito, escutando o rilhar do seu corpo quitinoso - como se a manobra fosse executada sobre areia espalhada num ladrilho.

fogo!

segunda-feira, 2 de Junho de 2008

tempo oral

para amanhã já anunciam 27 graus cá pro deserto. E eu que já gastei a minha mesada de gasoil para este mês!!!

andei a colher as batatas. Mesmo assim foi uma safra razoável. Se o armazenamento decorrer sem incidentes, posso ter produto até à próxima campanha
Este Maio tem sido padrasto para os agricultores. Muita humidade = muitos fungos, muitos míldios e oídios, muita pataleta vegetal

não sei se foi na colheita das batatas, um safado de um bicho ferrou-me em pleno pulso.
Uma comichão maluca e um inchaço que me subiu pelo braço (esquerdo) até quase à tatuagem
Ficam a saber que eu tenho uma tatuagem: uma serpente enrolada a uma espada (de Escolápio? de Medicina? de Farmácia?) com um "love" por baixo já tão desbotado que não dá para se ler direito.
Ora, é a chegar a este "love" que já vai a lostra vermelha provocada pela ferroada insensível, não dei por coisa alguma, do sacana do verme. Que era venenoso, e me ferrou com raiva, não duvido.

Fui às Urgências a Arraiolos - mariquice minha, que bem podia ter ido logo a uma das Farmácias apresentar o problema e comprar a pomada respectiva. Não, passei meio-dia à espera de consulta de uma simpática médica castelhana.

É para besuntar o pulso duas vezes ao dia. Já fiz a primeira fricção - mas resultados parece que nem vê-los! Não, vendo bem já se nota algum alívio. Pelo menos nas comichões e mesmo no inchaço. A médica e eu ficámos os dois na dúvida se tinha sido mais para os lados do rádio se do cúbito....

Ah, para falar das temperaturas de amanhã: Previsão de 27 graus.
Anda tudo maluco. Até a biodiversidade rastejante.
Espero é que o sacana do bicho que me ferrou tenha rebentado que nem uma vaca-loira

definições:

Tesouro nacional = eurário público

P ´RA PULARES

subsídios já o homem tinha
mesmo assim batia o pé

que aquilo que lhe convinha
era a própria CEE

também com uns anitos, da época ainda da velha CEE. Mas sempre atuais estas coisas! Como os autos de Mestre GIL, com o devido respeito

estatísticas

nem todos os indicadores sócio-económicos vão mal em Portugal. Só não vê quem não quer:

ainda há pouco a taxa de pobreza rondava os 20%, já agora lambe os calcanhares aos 35:

só não vê quem não quer

P´RA PULARES

usas camisa à marujo
às listras azuis e brancas
só és diferente do cujo
pela forma de dar às ancas

antiga - mas retomada uma noite destas, em maré de invocações

definições+

deltónico - para quem todos os cafés são DELTA

cureografia - encenação de peça musical em que os traseiros ganham particular relevo

cusméticos - produtos para tratamento externo de hemorroidal e similares

e-ventos - acontecimentos públicos realizados sob forte ventania

currespondência - traque

domingo, 1 de Junho de 2008

definições

comício = tempo oral

FLORES



gladíolos, à semelhança de outras culturas, podem ser cultivados permanentemente dentro de água, em placas flutuantes (de esferovite p.e)

o tratamento da água (fertilizantes/controlo de ph) é feito por mim de maneira empírica.

há métodos de cultura semellhantes, designados por hidropónicos, distintos deste pelo tipo de suporte.

as Universidades que contactei propondo apreciação científica do processo não se dignaram responder. Talvez os seus cientistas o conheçam "de gingeira"!

Dissessem isso, porra!