sexta-feira, 31 de Julho de 2009

verbo da moda

LOCUPLETAR (se)

agora é meio-executivo da Câmara de Carmona Rodrigues que vai a Julgamento. Ainda dizem que a Justiça não funciona

ver o que aconteceu àquela molhada de gente da Câmara de Felgueiras, com a vítima suprema Fátima à frente do cortejo.
o Lavar-dos- cestos vai ser agora até se acertarem indemizações para ressarcir as vítimas de injúrias psicológicas. Acho muito bem.

como aconteceu com o inocente Paulo Pedroso. 50 000 euros? - Acho pouco, sinceramente

gripÁ

foi o que deu no meu velho CP.

deixou de tudo:
até mesmo de tossir

ECOLOGIA

trate a água da rede em sua casa como se fosse ÁGUA-DO-LUSO. Ou VICHY

se for católico, como se fosse água benta:

com parcimónia, como se exige às coisas raras

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

sem sentidos

agora o ouvido

dou por que os sons familiares do microondas e do esquentador em situação de produção de água quente de um momento para o outro se tornaram simpaticamente suaves, agradáveis até.

Mentira.

pensei melhor e conclui que não é o barulho das máquinas que se tornou melodioso e meigo como o rolar das esferas. Os meus tímpanos é que estão sem dúvida embotados

diário

selvagem:

fins de Julho, tempo de arrancar a rapariga top-less - calçanito verde - do calendário Good-Year, de parede, os dias já mais curtos, em consonância com a roupa das miudas que alegram milhões de paredes esborratadas do fumo de escape de milhões de automóveis em oficinas suburbanas;

e mais frescos, a ponto de apetecer a camisa de mangas integrais reforçada pelo conforto de uma camisolita de lã leve - para o sereno das esplanadas quando se aproxima a meia-noite;

Agosto mesmo à porta, aí o fim das férias - mais Férias Grandes do que Grandes Férias - para mim já Férias Permanentes, as eleições entrando pelo outono, molhadas pelas Águas Novas com que se iniciam as próximas sementeiras, quem ganha, quem não ganha, amanhã, Julho ainda, vou fazer compras de velho solitário: um SOFÁ; uma PANELA-DE-PRESSÃO; ia a escrever um IRRIGADOR/CLISTER, dei a tempo a pensar que já não se usa semelhante equipamento, antigamente é que era objecto de Pharmácia, mas também de Mercearia - dependurado num ângulo mal iluminado de parede, com a borracha estendida até quase tocar o chão, um objecto-tabú, quase kitch, que remetia para secretas, íntimas operações solitárias mornas, que o imaginário levava até bem longe;

a chegar o frio, o lume de chão na chaminé, as primeiras castanhas para assar
já plantei o meu castanheiro na Igrejinha
algumas dezenas prosperam escandalosamente nos Canaviais
vou entrar na lenha de azinho que sobeja, veja-se, de há dois anos,
começar a pensar no subsídio de Natal - quem sabe não dará
para comprar o meu Magalhães de estimação,
e então o frio a sério, de acordar com os olhos perlados de um orvalho que preenche invisivelmente o ar do quarto,
entrar no corredor de tempo de aniversários: Outbro/Novembro/Dezembro - para
filhos, neto, eupróprio,
o fim de um ano velho e o princípio de outro
como se os anos fossem alpercatas ou camisas
que se renovam assim com uma simples ida à Loja do Chinês

29, ou 30?, não, 29 de Julho,
mais duas ou três idas à Comporta,
este ano como as cobras estou a mudar a pele
nem dou sequer por que esteja a crescer, mas olha, uma comichão danada
e ela a enrolar-se como quando se chamusca porcos,
só me lembro de semelhante acontecimento duas ou três vezes em toda a minha vida

e pronto, é assim,
lembra-se porventura do pequeno poema " quando pobre vai à Praia....."
aconteceu ontem, claro:
um frio cortante pela manhã, água do Mar de não se suportar tocá-la com um dedo...

nada mais por hoje
mas que o tempo vai mudar,
ai vá por mim que vai...

pense bem

perfecionismo nem sempre será o melhor meio para chegar à perfeição

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

contraste

nos meus tempos, gente com dinheiro impingia o horroroso óleo- de- fígado- de- bacalhau aos miudos para lhes abrir o apetite

os pobres - esmagadora maioria - contemplava os gaiatos com duas chapadas "no focinho", que funcionavam, diziam, como "DESaperitivo".

só a brincar, claro!

sábado, 25 de Julho de 2009

DOENÇAS

pedofilia e

cleptomania
parece que são desvios igualmente viciantes

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Gripe A1

nos países ricos as pessoas com sintomas da gripe são retiradas do contacto com as outras e ficam em casa - de quarentena

em Portugal, como o orçamento não dá para tanto, os infetados ficam em casa - de TRINTENA

Nota - os chineses parece que estão a tratar, com assinalável sucesso, a sua Gripe A1 pelo seu método milenar de medicina tradicional. (ervas)

Custo - pouco mais de 1 euro
Tempo de duração do tratamento - inferior ao convencional

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

isso mesmo

Notícias do Bloqueio

Arlindo de Carvalho tem que ficar em casa. Oliveira e Costa está de regresso ao Lar. Sortudo. Dias Loureiro, segundo Correio da Manhã, está incontactável na Quinta do Lago no Allgarve.
Esta, entre outra gente, é acusada de, entre outros encómios:

- Fraude fiscal
- burla agravada
- branqueamento de capitais
- falsificação de documentos
- gestão danosa
- corrupção (activa, passiva, compulsiva, RECIDIVA)
- até de infidelidade não sei quê. Não estranho porque quando se fala de valores de acções na Bolsa ( sobe/desce) se utiliza abusivamente o ternurento termo sentimento:
Hoje o sentimento do Mercado…….
Ao que isto chegou

Ah, injustiça das injustiças:
Estão estes, entre outros cidadãos que pertenceram à mesma chamemos-lhe equipa, pra não lhe chamar outra coisa, está a ver!, cidadãos, dizia, privados do elementar/constitucional direito de contactar entre si.

Um deles, com pulseira electrónica, nem ao Café pode ir. Parece é que o próprio Café (Central ) do Bairro, do senhor Farinha, já, devidamente autorizado, transferiu uma das suas mesas, cadeiras, os Jornais que o senhor Doutor costumava ler, moscas e tudo, para o espaçoso Hall da Vivenda do senhor Doutor.
Duas vezes ao dia vai um empregado, o Jaime, todo de branco e o seu lacinho preto, fazer, repito:fazer o cafezinho para o senhor doutor.
Tudo porque o senhor doutor está temporariamente impedido pela (IN)Justiça Nacional ( ao que isto chegou, comenta-se no Bairro) de pôr o pé na Rua, nem mesmo para ir à Capelista de esquina comprar um par de atacadores para os sapatos.

Os outros respeitáveis cidadãos não. Foram poupados à requintada sevícia própria só da Inquisição, pelo que gozam dos plenos direitos de cidadania, à excepção – e já não é nada pouco, acrescentamos nós, de comunicarem entre si, pelos meios comuns, do cidadão vulgar, de telecomunicações: telefone fixo ou telemóvel; fax; SMS; correio electrónico; Twitter; Face Book – essas modernices todas que os serviços de escuta
controlam muito bem.

Um simples recado: o senhor Dias Loureiro, é um suponhamos, quer convidar o seu amigo Arlindo para uma ida ao achigã ou para uma partida noturna de sueca ou monopólio, como é que faz, sabem-me dizer?:
Lá tem que mandar a empregada, de táxi ou no seu carrito híbrido, com um bilhetinho muito bem dobrado, e esperar depois pela resposta.
Meus senhores, em tempos de Fibra Óptica, Banda Larga, comunicações por Satélite faz algum sentido este recuo civilizacional? Querem exigir aos impolutos (ainda os seus processos não transitaram em julgado –é assim que se diz?) cidadãos que regressem ao fumo das fogueiras dos Índios, aos Tantans africanos ou ao pombo-de-Correio da Idade Média ? Francamente! Na era Magalhães…..

Por favor não brinquem connosco, permitam ao menos às pessoas a utilização de um daqueles equipamentos de transmissão em Morse tão utilizados em tempos na Marinha.
Eu cá, se fosse Justiça, mas Justiça a sério, com a sua quota-parte de humanismo, era assim que faria

Bom, por aqui me fico, até mais ver

na Loja dos Computadores

o técnico
-o seu computador está lento, precisa de ser desfragmentado

o leigo (eu) pensando para dentro:
- desfragmentado uma ova

fragmentado e bem miudinho, de modo a não ser possível reconstituir

formigas e meteorologia

Não disse eu? Movimento de formigas a transferirem maternidade

e aí está:

24 horas depois - chuva em pleno Julho. Se não for a pior....

PESSOAL DE FÉRIAS

e eu práqui de Lérias

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

FREE POCKET

É o regime: Bolso livre

cada um abarbata aquilo que pode. E já não é como carteirista de Metropolitano que sacava mil pauzitos por dia -para uma refeição acompanhada com um tinto de eleição....

agora é Free Pocket - à inglesa. Sempre a andar

e será que esta gente não tem ponta de vergonha? O que dirão os colegas dos filhos (netos?)
nas Escolas, nos Colégios?
Nem por eles os adultos conseguem refrear o seu espírito de ganância?

terça-feira, 21 de Julho de 2009

METEOROLOGIA

não sei o que está para vir aí:

ontem à tardinha, uma maternidade de formigas transferia
todos os filhotes (larvas brancas)
de um formigueiro para outro
situado a sete passos de distância

azáfama durou até aparentar
concluida operação.

porquê? para quê?

conformado e distante =

LENTEJANO

poemas da minha fase produtiva

olho para tudo como um boi adormecido:

o pasto a flora
a montanha
a paisagem

Eis-me em tudo - telegramas
lápis o teu rosto
eu e a casa as cores
da carteira de cheques

como o tal boi passivo

com as patas na lama
a comer malmequeres

ESBARRAR COM AS PALAVRAS

tropecei com esta ao consultar o dicionário:

eleutérias
:
s.f.pl. -festas em honra de Júpiter e de Baco, na Grécia, para comemorar alguma vitória ou expulsão de tirano.

registei e estou transmitindo a vocês, tá?

EUFEMISMOS

cada vez há mais.

de hoje mesmo, despacho de meretíssimo Juiz sobre situação
do senhor Oliveira não sei quantos, ao que parece funâmbulo emérito do Circo BPP.
Ou seria BPN ?
:

"obrigação de permanência na residência habitual "

isto é o eufemismo

porque a realidade nua e crua seria:

"Prisão domiciliária" - mais curtinho e tudo

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

rosas bravas para quem chegar agora aqui


eram rosas de domingo
de banho de água morna em alguidar de zinco
de sair para a Rua
-que era campo -
e toda a manhã de sol
cheirar às mãos de mãe
e a estas bravas
rosas

FREE POCHE (Bolso Livre)

Cada Governo tem um

o de Cavaco também tinha o seu

contágio

- ir para post da Janela Inclinada

- Fixá-la durante alguns segundos

- todo o texto seguinte não parece igualmente inclinado para a direita?

- ou é delírio meu, estilo miragem - por causa do calor?

COMPRAS

ontem fui ao Super habitual, dia de carregar garrafita de uísque, duas mangas, embalagem de bacalhau do Pacífico - lá se foram duas notas de vinte. Quatro contos, caramba!

mas acho agora que já descobri como é possível economizar nas compras. Lendo última edição
D´Orey sobre como comprar muito pagando pouco.

Assim, meto 5 € ao bolso e penso voltar a casa ao fim do dia com :

- 1 Banco, por 1 euro : o BPP já não pde ser, que já está vendido, um Millenium quem sabe, Bcp também não vale a pena porque está falido, a Caixa Geral de Depósitos vou tentar arriscando mais meio euro: 1 euro e 50cêntimos e talvez consiga negociar a Caixa Geral de Depósitos1

- 1 empresa de Telecomunicações. Parece que está a dar. Família dos Santos, camarada angolano, metida nestas coisas, é ver termómetro de cotações a subir que nem saído de axila de tomado de gripe A1 N1 - ou lá como se chama aquilo. O indiano que gere PT também parece bom rapaz, por que não acenar-lhe com oferta de 2 euros?

- um Free Port qualquer que não seja o de Alcochete - da Cova da Piedade, da Moita, do Barreiro, de Vila Franca- de- Xira, uma coisa livre de complicações de Tribunais, sem chatices de conferências de Imprensa, desmentidos oficiais, lavagens de roupa suja, estão a ver.
Mais um euro por isso.

- faltam então 50 cêntimos, vou tentar negociar uma empresa de Construção Civil, uma Teixeira Duarte ou, até rima, uma Mota Engil, (rima com Construção Civil) do Jorge Coelho, quero lá saber, que se lixe, dias não são dias, se não aceitarem os 50 cts posso ainda esticar até aos 60.

e pronto, é assim. Com o calor que faz é chegar a casa e tomar duche, tomar de seguida o meu uísque, com gelo, que trouxe do Super habitual, e finalmente tomar a atitude de fazer bem as contas ao que consegui comprar durante o dia.

tchauzinho!

BOAS FÉRIAS

quatro variações em rosa - na tentativa de amenizar obliquidade da janela

domingo, 19 de Julho de 2009

milho - bago - grana

perdoe-se a janela torta

A casa e o milho:
do lado de lá da janela da casa fica o milho. Uma excelente plantação de milho - que se repete desde que eu habito a casa. Antes de eu a habitar já aqui se produzia milho

O proprietário do milho não é proprietário da terra. É um agricultor esclarecido, que trabalha para ganhar dinheiro. Faz parte de uma minoria de agricultores portugueses. A maioria é pouco esclarecida, rotineira, conservadora - sobrevive à custa de subsídios ministeriais.

do lado de cá do milho, a poucos metros,como a fortografia, mesmo torta ilustra, há a minha casa e eu. A minha pequena propriedade, a minha pequena horta, o meu pequeno poço.
O milho - espetacular - do outro lado da janela, consome, até ao fim do deu ciclo vegetativo, na ordem dos MIL litros de água por metro quadrado. E quantidades consideráveis de adubos de síntese ( azoto, fósforo, potássio, cálcio, entre outros)
que são dissolvidos pela água e vão contaminar o lençol freático que alimenta o meu pequeno poço. Junto com os adubos sáo arrastados pesticidas, herbicidas, hormonas, outros....
Com que a minha máquina lava a roupa, com que eu lavo o corpo sempre que diariamente tomo banho.

o dono do milho está-se perfeitamente nas tintas para que eu tome banho com água saturada de nitratos, bem fornecida de fósforo ou potássio, bem temperada de herbicidas totais contra as plantas invasoras.

centenas de milhar de pequenos agricultores neste país - para além de lavarem a roupa e tomarem banho com estas águas pútridas, utilizam-na para cozinhar e, pasme-se, BEBER.

E o ministério da SAÙDE tão preocupado com os putativos malefícios da chamada Gripe A

sábado, 18 de Julho de 2009

JULHO

janto na esplanada dos jacarandás
vou escrever palavras
que não sei ainda onde ir buscá-las:

se ao crepúsculo cinzento
em que a tarde se esvai
se aos jacarandás despidos
das flores azuis desde há um mês

se às pedras da calçada
se à esferográfica azul
já com pouca carga

já sei: à esferográfica azul
já com pouca carga

já com poucas palavras

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

PALAVRAS

Cristiano Rei nado

já agora estoutra (alguém se lembra disto?) porque vem mesmo a seguir

:

Não vejas só qualidades
nos teus ídolos eleitos
que à menor contrariedade
qualidades são defeitos ( passas a ver só defeitos)

já agora, se quiser ter essa maçada, pode indicar a versão que lhe agrada mais

obrigado

só mais um ensaio copiar/colar

por 30 dinheiros apenas
vendeu Judas o Messias
por quantias mais pequenas (por somas bem mais pequenas)
vendemo-nos todos os dias


ótimo (já pelo tratado) - parece que funciona mesmo

não vou chatear mais por esta via

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

ensaio

Tanto mal que se tem feito
com vista a que o Bem se instale!
Não daria mais proveito
Tentar melhorar o Mal?

nota - estas 3 quadras resultam de um ensaio copiar/colar. Que julgo já funciona

quadra p´ra pular

vai haver governo novo
tramaram a oposição
Quem mais se trama é o povo
haja ou não haja eleição
Quem for honesto profundo
Sem fantasia ou batota
Se não endireita o mundo
Ao menos não o entorta

?

conquistadores da Lua - para além da palavracara selenitas
eram Lunautas ou
lunáticos?

aniversário da chegada à LUA

quadragésimo. Você quantos anos tinha?
eu cá por mim nem digo. Fogo....

acho que foi Armstrong o primeiro a pôr o pé.
Professora, a partir de cá, talvez da Califórnia:

"preste atenção, menino,
deixe de estar na LUA......"

variações sobre

autarcas

o Major é o maior de Gondomar; o filho ainda não lhe ganhou o vício?

Fátima de FELGUEIRAS - é Felgueiras - outra pequena maravilha

Isaltino, de Oeiras, tem um sobrinho taxista na Suiça. O que espera
Exaltino?

vai ser hoje conhecida a "pena suspensa"
que ao seu sobrinho - taxista na Suiça - vai ser atribuida

coitado do sobrinho
de EXALTINO

paradoxo meteorológico

:
as temperaturas mínimas sobem
descem as temperaturas máximas

é eminente o risco
de as temperaturas mínimas atingirem valores mais elevados
do que os das temperaturas máximas

ao que parece

mal anda o PS:

Sócrates enche um salão de Hotel de Lisboa
para dizer ao país (pela metáfora Salão cheio)
que o partido de que é secretário geral
é o melhor do mundo

jornalista-antena 1 responsável pela notícia
comenta:

....não se viam rostos felizes na Sala

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

poemeto

O que aprouver aos deuses

A mim há-de:

A mirra o incenso o jade

O alabastro a ogiva

O que a mim me apraz

Aos deuses concativa:

O sal o sul

O teu perfume a sol

O azul

Detrás da tua forma-carne

A rósea cor furtiva

melga (por quê Melgaço ?)

a um mosquito que me suga:

bebes do meu sangue

vejo-te ainda mergulhado sobre

um afluxo roxo que me aflora

a pele

podia matar-te agora mesmo

podia esborrachar-te

mão contra o meu pulso-fonte

impávido tranquilo

podia afugentar-te com um sopro

podia em suma pegar-te

cauteloso

trincar-te e engolir-te

recuperar meticulosamente

os infinitésimos

desses miseráveis glóbulos

brancos e vermelhos

de que deixo embebedares-te

mas prefiro

sim prefiro

olhar-te o ventre cada vez mais tenso

obeso como um odre

ver-te partir em paz

batendo as asas lento como um albatroz

pesado e lento – cada vez mais lento -

e podre

cada vez mais podre

do baú

há um muro à minha volta

com vinte palmos de altura

que me persegue e me escolta

que me protege e tortura

que rodopia em redondo

me esconde a vista de tudo

dentro do qual eu me escondo

por trás do qual eu me escudo

escalá-lo não sou capaz

esquecê-lo não estou seguro

se me esmagar tanto faz

- é muro que esmaga muro

me confesso

não consigo dar a formatação devida ao poema que segue

leia cada um por si - como entender

poema velho

E R Ó T I C A

Escrevo a raiz vertical da erva

Que segura o volume aéreo

A que se prende a haste

E as cores que lambem o limite

Inferior do azul

Do céu

Contraste

Se conforma

Entre o verde original das folhas

E as pétalas vermelhas

Contraste entre os açúcares

Da seiva

E os breves ácidos das minúsculas sementes imaturas

Escrevo o que circula

E vem da Terra – seiva clorofila -

E a pequena lágrima de água que dissolve

Os sais e os transforma

A química das cores

Da mutação das cores que o castanho-escuro engendra

- o verde e o vermelho –

Ao sol e em silêncio

As nervuras claras e o limbo

Aceso como espada

Contra o tépido

Ar da madrugada

A força peristáltica dos poros

Respirando o azoto

Sorvendo avaramente ao ar

O oxigénio

Escrevo o consequente

Amarelo das flores:

Dos estames das anteras

E a clara vontade

Que faz pulsar o pólen

Por distâncias longas e entre flores diversas

O final encontro escrevo:

O amor o estigma

As contrações do ovário

O leve abrir das pétalas ao sol

O saciar

Do cio

A breve dor – o grito –

Uma gota de seiva espermática

A escorrer

Da erva

Com a força

De um Rio

proviso

comecei a escrever
um pequeno poema sobre o fogo

parei quando o papel
começou a empolar
e a cheirar
a enxofre

terça-feira, 14 de Julho de 2009

14 de JULHO mesmo

Tomada da Bastilha,

Revolução Francesa - com abrangência mundial

Pena que tenha morrido hoje Palma Inácio: Assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz

desvio de um avião da TAP para distribuir panfletos da LUAR entre Lisboa e o Algarve.

Eu estava na SMARTA - uma certa Pastelaria fina - quando começou a chuva de panfletos.

Fui contemplado com meia-dúzia deles.

Mas giro mesmo era ver o avião da TAP a sobrevoar Lisboa pouco acima dos telhados.

Palma Inácio só hoje conseguiu voar mais alto.

Um voo feliz acho que merece

teria eu razão?

quando publicamente manifestei minha desconfiança política em relação
a um tal" Testamento Vital" -proposto pelo PS
em tempo de eleições para o Parlamento europeu

dizia eu então - verrinosamente, concorde-se - que o PS não pretendia outro objetivo
que não fosse promover VITAL
Moreira, evidente

Certo é que o tão badalado, na altura, projecto-lei, ou lá o que era, Vital, foi removido
para próxima legislatura.

seria mesmo só maldade minha?

na dúvida

em IrmãoLúcia leio escopro (de escultor)

em Ana de Amesterdão leio escopo

os dois me oferecem garantias literárias

na dúvida, vou por como se diz na minha Terra:

escôpalo

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

pandemia

pior do que a febre Aviária, a Gripe A1, a peste suina ou a brotoeja dos macacos

a pouca-vergonha no país é a pior das pandemias

Todas as atrás citadas são sazonais e passíveis de prevenir com vacinação

14 de Julho

É então amanhã dia de tomada da Bastilha!:

liberté; egalité; fraternité.....

tá-se mesmo a ver não tá?

já lá vão mais de 200 anitos e não se vislumbra grande coisa. Pelo menos por aqui, pela porta de saída da Europa.

de qualquer modo, não esmoreça. Comemore

à maioria dos auto-denominados cientistas do país

conheço excepções maravilhosas:

quem inventou a roda
desconhecia em absoluto o valor de

PI

ao Ministério do Ambiente - a todos municípios ribeirnhos

:

AVISO

se continua a deitar lixo
na Praia

sugerimos que passe a tomar banho
no nosso
Aterro Sanitário

sábado, 11 de Julho de 2009

por quê ÁFRICA

sol
calor
mar
manga
azul
queimadas - áscuas
sensações acesas

afrodisíaco por quê?:
de Afrodite
ou de África?

por que não asiodisíaco?
ou amerodisíaco?
ou mesmo eurodisíaco?

África
-de onde todos nós nascemos

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

meteorologia&conta bancária

quando pobre vai à Praia
não há vento que não vente
não há pó que não levante
não há chuva que não caia

não há estrada sem polícia

muita sorte tem a gente
quando o puto
não desmaia
quando o carro
não enguiça

estigma dos nomes

idênticos ao meu - Saias

simpática
bonita
inteligente
arguta
diplomática
mas

Sanfona

restaurante chic,com soalho encerado

aviso à porta:

ENCER(r)AMOS
às
Quintas

o c(H)erne da questão

O N´eil, de quem gosto muito,
mais mesmo do que de Nuno Álvares Pereira
ou de Pedro Álvares Cabral

dizia de alguns dos seus poemas que:
nem para atacadores

plagiando a metáfora do calçado
direi eu que os meus - todos - não alguns
nem para um par de gáspeas

sei que é poesia porque às vezes rima
se calhar até é bonito
alguns dos meus versos até já foram musicados

se tivesse que escolher honestamente
um lugar no Ranking nacional
apontaria para o número redondo de 10 000:

António Saias - 10 000º. poeta nacional.
não sei - nem sei se alguem saberia como dizer por palavras
este tão extenso qualquer coisa

em frente
ah, vinha a propósito de Cherne,
que toda a gente sabe que é Durão,
que lá continua na Comunidade

que, para rimar,
nos deixou sem um tostão
mas lá continua e
há-de.....

2º. a Google

eu terei neste momento 8 simpáticos seguidores. Número modestíssimo, vamos lá, mas carregado de simbolismo. Eles são os melhores do Mundo.
Sem tirar nem pôr:

o meu G 8
Abraço e beijo a todos

noção de poema

não sou eu que conduzo as palavras
como o almocreve sóbrio aos animais

são as palavras que me levam a mim
e determinam
como os animais
ao almocreve bêbedo

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

bra(o)nca

hoje eu não tinha nada
a dizer a vocês:
só a mim

mesmo assim, esqueci

NÃO CONFUNDIR

a tomada da Bastilha - cujo 220 º. aniversário ocorre no próximo dia 14.

com

a tomada da Pastilha - contra azia (uma tal de Pepsamar), sempre que abuso do frasquinho de algibeira

projeto?

dez anos depois do mano

- ou sou descuido
ou sou
engano

EFEITOS (colaterais) DA GRIPE

:

...a carteira

ou espirro-lhe pra cima

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

já agora, velhíssimo:

dúplice por criar a fala e o (novo)
ouvido - o som e o sino o tiro e o estrago

não reside em nós como os vulgares sentidos
de cuja intercepção irradiam
as palavras vulgares

presabe-se exterior como a dor reumática
que sentimos nas articulações dos velhos

só lançando para fora de nós
ouvido paladar olor podemos encontrá-la

não é possível então reproduzi-la
porque jamais se enraiza na memória

é a fala pós-vida
que os não iniciados muita vez confundem
com palavras mortas
como angústia ou silêncio

ESCRITOS VELHOS

tirados ao acaso de uma molhada de papéis:

I

construido o hálito
das algas
pálida a manhã se faz
flor de coral

à flor do mar brotando

e vem no vento
à areia à seara à serra à esteva ao gado

aloirando e crescendo
o pão que sai
do forno


II

não sou eu quem está metido nestas ervas
que são as palavras bravas circuladas por vermes

nem sou eu quem pecorre a cidade
pelas artérias
como o vento azedo que escapa do mercado

não estou na missa
das dez horas de todos os cafés

nem plantado nos sinos
das vozes
que sujam a manhã

estou sim no esforço
breve de escrever este poema
-de que fico suspenso
como alguma semente

e pronto, é assim. há no mesmo papel um diálogo (com um surdo?)escrito a duas caligrafias,
que vou tentar reproduzir:

- onde trabalha agora?
- eu vou precisar de transformar o meu sótão num quarto de dormir.
Pode comprar material a contar comigo
- sabe onde é que se vendem caixilhos de alumínio?
(segue desenho primaríssimo de janela)
por baixo, sublinhado:
preciso de duas janelas

resposta:

- vá ao Alcides Rebocho no Bairro Frei Aleixo
procure por
Luis Hermenegildo

e pronto - agora é que está trancrito o papel na íntegra

grupo dos 8 reunido em ITÁLIA

Repito:

contra G8 só

G3

terça-feira, 7 de Julho de 2009

prosa com 35 anos

D E S A L E N T E J O

(Évora - 74 )

…………….

Mãos calejadas das moedas. Calos imundados dos Jornais.

Para além dos Arcos há: Cafés; Lojas; Sombras húmidas de casas.

Nas casas vivem pessoas. Nos Cafés habitam pessoas.

Também nos Arcos habitam pessoas.

Avencas escorrem das fendas húmidas das pedras. Cisnes circunscrevem-se ao espaço de pequenos lagos. As estátuas às peanhas

Espaço comprimido. Asfixia maciça. Poluição mental. Homens-apetrechos vão e vêm. Como arados, como aranhas, como aivecas. Como sachos.

Descem e sobem. Sobem e descem. Um vaivém contínuo. Vai e vem, até que um dia só vai. Não regressa mais.

Círculo fechado sob os Arcos. Epitáfios:

Aqui jaz (universal) esmagado sob angústia dos Arcos. Aqui jaz – afogado de náusea sob os Arcos. Aqui jaz queimado, carbonizado sob os Arcos.

Os Arcos já matavam os romanos

Arcos são colossos. São gigantes. Pernas arqueadas, mijam-nos em cima. Apertam-nos. Possuem-nos:

Menor desflorada em pleno dia pelos Arcos. Chama-se a atenção dos pais.

Dia de chuva miudinha, sem abertas de sol- era Domingo, algures no campo havia futebol. Rapariga menor, ao fim de algumas horas sem sentido olhando montras frias das Lojas sem ninguém é subitamente apertada entre dois longos e poderosos braços de granito. E barbaramente, inexoravelmente desflorada. Em plena Rua.

Exames clínicos pós-acto mostravam claramente o que alguns gine-arqueólogos de início suspeitavam:

Só os Arcos podiam ter praticado tão ignominiosa violação. Nos olhos da menor mantinham-se laivos de uma angústia e de um terror comparáveis só a descrições grotescas mitológicas.

Não morreu, ao que consta, mas hoje ainda a chuva e o cinzento, e as formas ogivais, a transportam ao êxtase e ao delírio. Gesticula desordenadamente – como dizem dos possessos, suspeitando-se que seja irreparavelmente grávida de tédio

telefonema de negócio

- é de casa o senhor António Saias?
- sim, minha senhora, e estive para não atender por não ter número definido
- sabe, eu explico....
- não precisa, minha senhora, vá directa ao assunto
- sou técnica de saúde, estamos aqui em Arraiolos numa missão de rastreio a doenças do coração, o senhor António pode me dizer que idade tem?
- setenta anos, minha senhora, sete décadas exatas
- e a sua esposa, senhor António, possso saber que idade tem?
-menos cinco ou seis anos, não sei exatamente, estamos separados há mais de 30....
- muito obrigado, senhor António, estamos a desejar-lhe boa saúde, até uma próxima oportunidade .... (desliga o telefone)

há uma praga desta gente a viver de ludibriar casais idosos, levando-os a comprar inutilidades e a comprometer os seus modestos orçamentos. Já estive numa destas sessões não menos criminosas do que o car-jacking ou o clássico assalto à mão-armada.
Feitas impunemente, em salões de Festas graciosamente cedidos por agentes culturais locais

não confundir

(ser) detractor

com

(ir) de tractor

tá?

PATOLOGIA

DE NOVO arroz-de-pato

abraço

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

mais importante

João Seabra, 28 anos, licenciado em som e imagem, faz sucesso mundial e é reconhecido como um dos 100 talentos eropeus em arte digitais.
Media não disseram patavina

Obama está em Moscovo a negociar com a Rússia redução bilateral do arsenal nuclear.

nada disto importa a Jornais; televisões; Rádios

O Estádio Santiago Bernabéu em Madrid já recebe parte dos prometidos 85 000 fanáticos que vão ovacionar dentro de duas horas o nosso benjamim Cristiano Ronaldo

estamos, sem dúvida, em plena época de HEURÓIS

CRISTIANO RONALDO

Hoje é dia de HEURÓISNegrito

resposta a convite de Grupo Coral de Queluz para assistir a Concerto no próximo dia 11 em Queluz

Bons amigos

Claro que fico sensibilizado ao saber isso. E ocorre-me sempre que teria sido de grande “utilidade “ para mim

ter conhecido o maestro Lopes Graça em vida nos 30 anos que antecederam o ter tido conhecimento de que o meu pequeno poema

lhe tinha interessado como objecto musical.

Inesquecível já foi o 25 de Abril em Sintra e a audição ao vivo de “das feridas fundas/que vais fazendo/ nos dedos magros”

O poema foi escrito numa época “forte “ para nós sentirmos a realidade social. E agora?:

Estamos a poucas horas de glorificar o homem, mesmo que português, dos 94 milhões de EUROS. Estamos em plena época de Heuróis, amigos.

O N´eil, de quem gosto muito, dizia, como eu gostaria de dizer, “os meus poemas – nem para atacadores…” Não esperaria eu, portanto, a glorificação do simulacro de poema. Nem a entronização, depois de transformado em estátua, do colhedor de azeitonas. Que já não existe, felizmente.

Mas, ai, continua a haver mundo-fora tantos colhedores de frutos, outros – a quem dói nas mãos, a quem dói nos ombros……

Um grande abraço a vocês todos. Eu prometo ouvir a gravação que tiveram a gentileza de me oferecer, e quem sabe, molhar a audição com uma lagrimita

sábado, 4 de Julho de 2009

QUADRA P´RA PULAR

Quis o ministro mostrar

Aos outros parlamentares

Que o gesto que ia esboçar

Não ia além de “Só ares

qudra p´ra pular

Luso-afro-brasileiro

Caldo de cores e de gente

Um pouco do Mundo inteiro

A melhor parte – a que sente

notícia de funeral de indigente

.....conduzido à sua última
- e primeira -

morada

descobri agora

caminho de retorno a PEMBAMÉLIA
(simbiose toponímica entre Pemba - nome original
e Porto Amélia - nome colonial)

Deixei por lá alguns dos melhores anos da minha vida
entre a carreira profissional e a carreira do Bar da Tininha, no Wimb

saudades de tudo:

da cor do Mar; da sua beleza interna - com corais, conchas de moluscos, peixes de desenhos animados;
dos coqueiros
dos animais selvagens (o meu galinheiro urbano foi durante tempos desfrutado por dois simpáticos pequenos jacarés)
do ar; da cor do ar
dos coqueiros e casuarinas junto ao Mar
saudades de saber sonhar

Vou tentar redescobrir as pessoas que ficaram por lá

ensaios à minha maneira


espero, com fundamentados argumentos, que esta "moita" de feijoeiros venha a produzir feijões
para cozinhar durante largo tempo. Irei dando notícias.
Se quiser arriscar, por que não arrancar a partir deste momento?
Não tem uma varanda?

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

lição de semiótica

O controverso ministro não pretendia outra coisa que não fosse mostrar ao mundo o que a pulcra e cândida sua excelentíssima esposa lhe oferecera pelo último Natal.

Pode voltar - está perdoado

texto-teste

D E S A L E N T E J O

O PEQUENO GIGANTE

A Feira é um Carrossel maluco. Um carrossel ideológico. Tudo à volta montado na girafa, no leão, no hipopótamo – até ao vómito das sardinhas assadas com pimentos e dos churros pingantes de gordura, as próprias luzes variegadas acompanhando a viagem circular, divididas em riscos verdes e azuis, vermelhos, laranja, brancos, tudo evoluindo até quase ter que se vomitar. Descer em andamento é que nem pensar. Seria um rodopio veloz, um estoiro abafado na poeira vermelha do terrado que comporta o carrossel.

Ideológico? Sim, porque em altura de eleições é terrível o que se diz a favor e contra a Feira. Até pelo nome. Saudosistas há intolerantes à mudança de S.João e S. Pedro para só S.João. É uma Vergonha. Não têm o mínimo respeito pelas instituições. S.João, assim sozinho, como se isso fizesse algum sentido.

Os promotores/organizadores da Feira acham que não senhor, está muito bem assim, vem na linha do que era há muitos anos: Barracas de comes-e-bebes, carrinhos-de-choque, farturas com fartura e cerveja até chegar aos gorgomilos, o dito carrossel, o Circo – falta, é certo, o Poço da Morte, que a ASAE se calhar já proibiu, ou o Ministério do Ambiente por via do barulho, dos decibéis em excesso, falta o cheiro a pechelim assado em fogareiro de carvão de pedra, sempre associado à esverdeada luz dos carburetos, faltará aquela rampa quase em L ascendente com um canhão de ferro armado de uma carga explosiva que os musculados faziam rebentar no topo – com um estrondo de tiro de Mauser da GNR, faltará muita coisa, já sabemos disso, que a oposição realça e o poder local a todo o custo minimiza. Terrível esta forma de fazer política!

Vou à Feira. Estou lá representado, num Pavilhão dedicado a “inventores”, com uns tabuleiros com água e uns ensaios que demonstram a capacidade que as plantas têm de germinar e prosperar longamente flutuando sobre, e apenas, simples água da torneira. Sem fertilizantes, sem qualquer tipo de tratamento fitossanitário. Estavam lindas as plantas do meu objecto de concurso.

Vou à Feira, dizia, e por azar janto num safado Restaurante ( a Gruta super- ocupada não permitia a veleidade de ficar uma eternidade à espera) cujo prato do dia era uma rafeirosa vitela estufada, mais vaca e velha do que a própria Feira de S.João e S. Pedro do nosso contestatário conterrâneo.

Janto, sem apetite e à pressa, por que quero ir à Corrida. Já tinha visto os preços – entre os 20 e os 65 euros - .

Há mais de 30 anos que não vou a uma Corrida. Uma Corrida de Toiros. A minha última Corrida não foi em Salvaterra, sim em Portalegre. Acabado de chegar de Moçambique, onde ainda passei pela experiência de pegar. Vocês conhecem: o Félix Pires, os manos Leitões, uma boa fatia dos Amadores de Montemor, que o Félix cuidou de pôr a trabalhar nas Repartições Públicas da Província, formaram um grupo em que eu esporadicamente dei uma pequena ajuda

A Corrida em Portalegre marcou-me pela cor do sangue no cachaço dos pobres animais,

talvez porque ao crepúsculo a pasta avermelhada emitia estranhas reverberações azuis…

Tudo sob um paliteiro de farpas macabramente coloridas

Quis ir à Corrida, mesmo assim, aqui na Feira, porque um dos protagonistas era um primo meu de que já ouvira falar mas desconhecia em absoluto. Nunca o tinha visto sequer. Neto de um primo direito, capaz por isso de ser mais meu neto do que primo. Primo-neto, será que a categoria existe?

Tiago Carreiras – é o nome do jovem. 18 anos acabados de fazer.

A empatia, a capacidade invulgar de interagir com os cavalos, de lhe comunicar a sua alegria de triunfador, fazem dele um campeão equestre, um pequeno gigante.

Não fora a clássica e incontornável prática de castigar o adversário com as sanguinolentas farpas, eu teria retomado a condição de fã da Festa dita brava. Fiquei, mesmo assim, seduzido pela maneira artística do Tiago, do pequeno Tiago, exibir na Arena a sua estatura de gigante.

Convenceu-me, mesmo tendo atrás de mim um péssimo jantar de vitela estufada e aliviada a carteira de 60 euros, que era esse o custo dos únicos bilhetes disponíveis, a tentar voltar a vê-lo conversando com os seus cavalos.

Espectacular sobretudo é um que dá pelo nome de Quirino

Bom sucesso, muitos êxitos é o que desejo ao pequeno gigante das Arenas

quinta-feira, 2 de Julho de 2009

VELHO

não pode com uma ga(ia)ta pelo rabo

anti-imperialista de raíz

adorava cuba-livre
mas falava sempre em Caca-Cola

quarta-feira, 1 de Julho de 2009

?

especismo ou especimismo ----------- teoria recente que preconiza superioridade da espécie humana

proponho: especsimismo para designar --------pessimismo sobre futuro da espécie humana

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